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terça-feira, 2 de novembro de 2010
Fundação da Companhia das Filhas da Caridade
A ORIGEM
A Companhia, fundada no século XVII por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, é conhecida na Igreja pelo nome de Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Servas dos Pobres. (c.1.1)
São Vicente dizia às Irmãs: "Tende presente: foi o povo, ao ver o que fazeis e o serviço que nossas primeiras Irmãs prestavam aos Pobres, que vos deu tal nome; este permaneceu como característico de vossa atividade" (s. v.P. 04.03. J 658).
A Companhia das Filhas da Caridade é uma Sociedade de Vida Apostólica em comunidade, que assume os Conselhos Evangélicos de castidade, pobreza e obediência, conforme suas constituições e estatutos, para servir corporal e espiritualmente os Pobres, vendo neles a pessoa de Jesus Cristo Crucificado.
O início da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo foi muito simples e inesperado:
Uma família do Vilarejo, hoje cidade de CHATILLON - SUR - CHALARONNE, estava ameaçada pela doença e na casa não havia nenhuma pessoa em condições de dar assitência aos dontes.
Durante a Missa, São Vicente recomenda esta família necessitada aos fiéis. E à tarde, quando ele mesmo vai visitar a família, ele encontra uma multidão de pessoas indo e vindo. São Vicente entendeu o sinal de Deus: tão somente é necessário canalizar e organizar esta caridade que as pessoas já trazem no coração. Neste dia nasceu a Confraria das Senhoras da Caridade.
São Vicente descobriu a miséria material e espiritual de sua época e consagrou sua vida ao serviço e à evangelização dos pobres.
Para isso fundou as Confrarias da Caridade ( Senhoras da Caridade, hoje, Voluntárias da Caridade) e os Padres da Missão. Nesta ocasião encontrou-se com Luiza de Marillac e associou-a a sua atividade com os pobres. As senhoras da Caridade, impedidas por seus maridos, deixaram de assistir pessoalmente os pobres, mandando suas criadas. Uma jovem camponesa, Margarida Naseau, apresentou-se ao Padre Vicente para dedicar-se aos mais humildes trabalhos que as senhoras das confrarias não assumiam junto aos pobres. Com grande amor evangélico, fez-se a serva dos mais abandonados. Seu exemplo foi comunicativo, pois logo outras jovens a seguiram. Vicente as confia à Luiza de Marillac para instruí-Ias.
A 29 de Novembro de 1633 as (4) quatro primeiras Irmãs se reúnem com Luiza para viver um mesmo ideal, em comunidade fraterna. Seis meses depois já são (12) doze. Foi uma novidade na época, pois até então só havia vida consagrada em clausura. E agora elas vivem no meio do povo, indo à casa dos pobres para atender os doentes. Depois, à medida das necessidades, ocuparam-se dos doentes nos hospitais, da instrução das jovens, das crianças abandonadas, dos galés, dos soldados feridos, dos refugiados, das pessoas idosas, dos dementes e outros...
Alguns anos mais tarde, convictos de que a Caridade de Cristo que deve impulsionar a Companhia não conhece fronteiras, os Fundadores enviaram à Polônia um primeiro grupo de Irmãs.
A 18 de janeiro de 1655, a Companhia foi aprovada pelo Cardeal de Retz, Arcebispo de Paris, e, a 8 de junho de 1668, recebeu a aprovação pontificia do Papa Clemente IX.
Santa Catarina Labouré ( 1806- 1876) - Filha da Caridade.
Catarina Labouré nasceu em Fain-les-Moutiers, França, a 02 de maio de 1806 e, no dia seguinte, foi batizada. Apesar do bonito nome, todos a chamavam de Zoé. Catarina tinha apenas nove anos quando sua mãe morreu. Nesta ocasião, foi vista de pé, sobre uma mesa, apertando ao coração a imagem de Maria e dizendo: De agora em diante, serás a minha mamãe.
Com a ida de sua irmã mais velha para a Companhia das Filhas da Caridade, assumiu toda a responsabilidade de dona de casa, com apenas 12 anos. Catarina cozinhava, levava a comida aos trabalhadores do campo, assumia os afazeres domésticos e se desvelava, tal como uma boa mãe, no cuidado do pequeno irmão Augusto. Mesmo com todas essas ocupações ordinárias, nada a impedia de achar tempo para fazer seus exercícios de piedade, oração e meditação.
Quanto à sua vocação, um fato singular lhe mostrou qual comunidade deveria escolher. Catarina sonhou com um padre idoso e de semblante sereno, que lhe dizia: Minha filha é muito bom cuidar dos doentes; agora tu foges de mim, mas um dia tu me procurarás e serás feliz em achar-me. O bom Deus tem desígnios sobre ti.
Mais tarde, ao entrar no parlatório de uma das casas das Filhas da Caridade, Catarina ficou impressionada ao encontrar um retrato parecido com o padre que tinha visto em sonho. Perguntou, então, quem era. Quando lhe disseram que era São Vicente de Paulo, o mistério se esclareceu e ela compreendeu que era o fundador da Comunidade a que deveria pertencer.
Quando Catarina revelou ao pai o seu desejo, foi severamente repreendida e proibida de tomar tal iniciativa. Só a 21 de abril de 1830, conseguiu a permissão e entrou para a Companhia das Filhas de Caridade.
No Seminário, Irmã Catarina recebeu a graça extraordinária de ver a Santíssima Virgem, sem jamais alterar o ritmo ordinário de seu cotidiano de oração intensa e trabalho zeloso. Dessa forma, deixava transparecer a constância de seu caráter e a autêntica humildade que carregava em seu íntimo e que a todos encantava. Continuava sua vida na simplicidade, no silêncio e na dedicação aos Pobres. Somente o Padre Aladel, seu orientador espiritual e confessor, que a seguia muito de perto, ficara sabendo das aparições e das mensagens da Santíssima Virgem. Exteriormente, em nada se distinguia das outras Irmãs, senão por uma fascinante discrição e prudência, consagrando-se inteiramente a Deus e aos Pobres como simples e humilde Filha da Caridade.
As aparições se deram em três momentos. A primeira foi na noite de 18 para 19 de julho de 1830, na qual a Virgem lhe apareceu sentada em uma cadeira na Capela da Casa-Mãe das Irmãs. Na segunda, a Virgem apareceu segurando um globo em suas mãos. E, na terceira, a 27 de novembro, foi-lhe revelado o formato da Medalha que deveria ser cunhada, logo chamada Medalha Milagrosa.
Irmã Catarina, depois da formação inicial, durante a qual aconteceram as aparições, passou seus outros 46 anos de vida em Reuilly, num humilde e silencioso serviço aos pobres anciãos. As aparições da Santíssima Virgem, a Senhora das Graças, não foram para Irmã Catarina motivo de orgulho ou de ambições por privilégio e reconhecimento. Sua experiência de intimidade com a Mãe do Senhor potencializava seu amor a Deus e sua abertura às necessidades do próximo. Doada inteiramente à sua missão de Filha da Caridade, Irmã Catarina, ao longo de sua vida, expressou, com palavras e ações, a graça que tinha recebido: ser mensageira do amor de Jesus Cristo, tão bem vivido por Nossa Senhora, aquela que, no sentir de São Vicente, melhor do que nenhum outro penetrou no sentido das máximas evangélicas e as praticou (SV XII, 129 / ES XI, 428).
A 31 de dezembro de 1876, chegou para ela o derradeiro dia na terra. Uma das Irmãs presentes, à hora de sua morte, disse-lhe, com acento de tristeza: Irmã Catarina, partes sem me dizer uma palavra da Santíssima Virgem? Então, inclinando-se para a Irmã, murmurou: Nada posso dizer. Meu confessor tem essa missão. Cinqüenta e três anos após sua morte, seu corpo foi exumado e, surpreendentemente, encontraram-no inteiramente conservado.
Santa Catarina Labouré: uma vida escondida com Cristo no coração de Deus (cf. Cl 3, 3). Um silêncio mais eloqüente do que muitos discursos. Um testemunho de que a santidade é dom e tarefa, compromisso a ser assumido na brisa suave do cotidiano da vida, onde Deus se manifesta.
Beatificação: 28 de maio de 1933, por Pio XI
Canonização: 27 de julho de 1947, por Pio XII
Memória Litúrgica: 28 de novembro
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Pe. Pedro Van Erk, CM - De volta a casa do Pai
Pe. Pedro Van Erk, nasceu na Holanda no dia 12 de Novembro de 1922 como segundo de cinco filhos do casal: Henrique Adriano Van Erk e Joana Jacoba Dictus.
Em Setembro de 1935 entrou no Seminário Menor da Congregação da Missão dos Padres Lazaristas, onde fez o curso preparatório e curso ginasial de seis anos.
No dia 05 de Setembro de 1944 fez os votos perpétuos de obediência, pobreza e castidade, logo após iniciou o curso de Filosofia de dois anos seguido do curso de teologia de 4 anos.
No dia 05 de Setembro de 1944 fez os votos perpétuos de obediência, pobreza e castidade, logo após iniciou o curso de Filosofia de dois anos seguido do curso de teologia de 4 anos.
Nas férias escolares do final do ano de 1950 fez o curso de primeiros socorros e veio definitivamente para o Brasil em Outubro de 1950.
Tomou o navio Inglês, " O ALCÂNTARA " em Cherboug, na França no dia 4 de Outubro de 1950 e chegou no Brasil no dia 14 de Outubro de 1950 na cidade de Recife.
No dia 28 de Outubro de 1950 viajou de navio "O SANTOS" para Fortaleza com três colegas, novos padres e padres veteranos, no porto do mucuripe. A turma dos padres Lazaristas só viam casebres e pensavam ter chegado na capital do Ceará. Ficaram na casa da Congregação da missão do Benfica onde começaram a pronunciar a gramática. Foram até Maranguape dormiram em rede onde vieram a serem apresentados ao Arcebisbo de Fortaleza, Dom Antônio de Almeida Lustosa, às filhas da caridade e aos vigários das paróquias vizinhas.
No dia 27 de Novembro de 1950 foi sozinho a Caicó receber sua primeira nomeação, passou a noite em Mossoró na casa de co-irmãos.
O Vaticano decidiu começar uma Escola Apostólica para formar Padres na congregação da missão. Indicaram o Antigo Barro Vermelho e a sua Escola Apostólica São Vicente de Paulo. Era um seminário muito bem dirigido pelos padres Lazaristas do Rio de Janeiro.
O Padre Pedro Van Erk após várias tentativas, funda o Ginásio São Vicente, começando com a primeira série ginasial com duas turmas. Com a extinção do curso primário e do curso ginasial e com a criação do curso de primeiro grau admitido em 1972 para seu estabelecimento de ensino particular e religioso.
Pe. Pedro recorda-se da professora e Psicóloga educacional Dra. Maria Necy Teles de Menezes e afirma " A professora Necy muito me ajudou na época do convênio com a prefeitura" ainda relembra " nunca ví pessoas tão interessadas em resolver o ensino como o prefeito Dr. Evandro Ayres de Moura e a sua secretária de educação professora Maria Liduina Correia Leite.".
Em 1988 quando da administração da Prefeita Maria Luiza este convênio foi extinto
Em 1997 o Pe. Pedro deixa depois de 35 anos a frente da diretoria administrativa do Ginásio São Vicente e a entrega ao Padre Antônio Garcês de sua inteira confiança dando uma nova denominação para COLÉGIO SÃO VICENTE.
Seu falecimento ocorreu em Fortaleza no dia 22 de outrubro, às 0h30, no Hospital Waldemar Alcântara em decorrência de um AVC, Contava 87 anos.
Prof.º Myrson Lima
ex-aluno de Pe. Pedro Van Erk
sábado, 2 de outubro de 2010
Eleições 2010
Os resultados eleitorais norteiam o caminho da sociedade. Esta obviedade guarda no seu bojo exigências e consequências. É grande a responsabilidade cidadã de votar. Um desafio, às vésperas das eleições, escolher candidatos que garantam maior qualificação dos quadros parlamentares e executivos. O ato de votar precisa ser precedido de um exercício cidadão de aplicação de critérios para ajuizar valoração quanto aos nomes que estão se oferecendo para serem sufragados nas eleições deste ano.
Este exercício supõe muito mais que a comum tentativa de ter sido convencido, enquanto eleitor, por meio de argumentos variados que, às vezes, desqualificam o adversário. Ou os que enaltecem de maneira exagerada e até fanática, alguma figura com seus feitos e conquistas não localizados, devidamente, no leito de suas obrigações e das condições garantidas e propícias para que se chegasse a metas e exigências quanto ao bem da sociedade.
É incontestável que a propaganda eleitoral gratuita tenha importância, por vezes mais informativa e laudatória na direção de um exitoso e rápido convencimento e menos como contribuição educativa para que cada cidadão exerça seu poder intransferível de maneira independente e com escolhas que garantam o melhor para a sociedade. Não se pode, no entanto, deixar de reconhecer o quanto tem amadurecido a cidadania na sociedade brasileira. Os partidos têm, é verdade, uma contribuição no âmbito próprio de suas configurações ideológico-partidárias que impulsionam e alavancam, de algum modo, os discernimentos - embora se constate as indecifráveis e inexplicáveis coligações que misturam combinações por força do interesse de agregar votos que não estariam naquela urna se respeitados princípios e diferenças.
Urge, por isso, uma reforma política que adentre os meandros da realidade eleitoral para ordenar as práticas e exercícios. A contribuição mais significativa, e com força educativa, preparatória para o ato cidadão de votar, é tecida pela ética dos valores e dos princípios transformados em critérios para avaliar os candidatos. Há, no entanto, um sinal do quanto ainda falta para esse amadurecimento. É curioso ouvir a consideração de que se trata de uma postura geral, por isso mesmo, gerando a vaga sensação, quando se faz referência à postura educativa, neste caso no contexto eleitoral, por parte da Igreja Católica. A Igreja não faz política partidária, essa tem sua incontestável e necessária importância. Ela não pode correr o risco de perder rumos, declinando em direções antidemocráticas e autoritárias. Esta referência tem poder maior do que propaganda eleitoral, ideologia partidária ou outras razões, como aquelas que incluíam a retribuição de favores, os votos comprados ou a condição do eleitor encabrestado. Os critérios éticos discursados em documentos e cartilhas, debates e reflexões na Igreja Católica têm força na ideia que clareia realidades, nomes e permitem discernir o melhor para a sociedade.
A clareza advinda da propriedade dos valores e critérios éticos não permite comprometimentos no exercício da cidadania. Quando se considera a responsabilidade de perseguir o bem comum, tarefa de cada indivíduo e também do Estado, deve-se ter em mente que esta é a razão de ser da autoridade política, supondo que os eleitos tenham comprovada condição para esse exercício. Isto não se alcança sem profundidade ética que configura e baliza condutas, evitando desvios, garantindo interpretações adequadas da realidade, sensibilizando para o diálogo e capacitando para a priorização das necessidades dos mais pobres.
Na verdade, o discurso ético, incidindo no contexto eleitoral, é tão mais forte em si do que o partidário, que respeita e investe na cidadania e tem força para influir nos resultados eleitorais. Compreende-se, portanto, que o horizonte ético traçado para avaliar cada candidato tem incidência nos resultados eleitorais. Aliás, precisa ter, sem entrar na confusão que seria gerada ao dizer que a Igreja não é mais a Igreja, e sim o partido tal, ou cabo eleitoral de tal candidato.
Cada cidadão, iluminado pela fé e pela ética, tem poder, agora, de definir novo quadro político e influenciar, de maneira determinante, nos resultados eleitorais.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
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