No decorrer do século XIX, uma circunstância à qual os historiadores não tenham dado a atenção que merece, contribuiu muito para o desenvolvimento desta devoção: a missão confiada pela Virgem Maria em 1830 a uma noviça das Filhas da Caridade da rua "du Bac", em Paris, a futura Santa Catarina Labouré. " Fazei, disse-lhe Maria durante uma aparição, cunhar uma Medalha conforme este modelo. As pessoas que a trouxerem ao pescoço, receberão muitas graças". O modelo, era a Virgem Maria, com as mãos estendidas emitindo raios de luz, com a inscrição: " Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".
Como é natural, foi preciso a Catarina Labouré um certo tempo para persuadir seu confessor, para falar sobre isso, com o Arcebispo de Paris, Monsenhor de Quelém. Finalmente, as primeiras medalhas foram cunhadas em 1832, logo distribuídas e solicitadas por toda a França e, em breve, por toda a Europa, acompanhadas de uma tal profusão de curas e conversões que então só se falava na Medalha Milagrosa.
Com a precisão e severidade do historiador, Renato Lautentin examinou atentamente os arquivos e fez os cálculos. Chegou à surpreendente conclusão de que no decorrer dos dez anos que vão de 1832 a 1842, foram cunhadas e distribuídas mais de cem milhões de Medalhas Milagrosas! Sobre tantos milhões de lábios havia pois ressoado, através de toda a Europa, a invocação: " Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". Laurentin não hesita em ver aí " um dos mais vastos fenômenos de comunicação social que tenha existido antes da invenção das telecomunicações".



