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sábado, 14 de março de 2015

Papa Francisco reflete sobre o valor dos idosos na sociedade

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Na catequese de hoje, prosseguimos a reflexão sobre os avós, considerando o valor e a importância do seu papel na família. Faço isso identificando-me com essas pessoas, porque também eu pertenço a essa faixa de idade.
Quando estive nas Filipinas, o povo filipino me saudava dizendo "Lolo Kiko" – isso é, vovô Francisco – "Lolo Kiko", diziam! Uma primeira coisa é importante destacar: é verdade que a sociedade tende a nos descartar, mas certamente não o Senhor. O Senhor não nos descarta nunca. Ele nos chama a segui-Lo em cada idade da vida e mesmo a velhice contém uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação. Não é ainda o momento de "tirar os remos do barco". Este período da vida é diferente dos precedentes, não há dúvida; devemos também "criá-lo" um pouco, porque as nossas sociedades não estão prontas, espiritualmente e moralmente, para dar a isso, a esse momento da vida, o seu pleno valor. Uma vez, de fato, não era assim normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E mesmo a espiritualidade cristã foi pega um pouco de surpresa e se trata de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam os testemunhos de santos e santas idosos!
Fiquei muito impressionado com o "Dia para os idosos" que fizemos aqui na Praça São Pedro no ano passado, a praça estava cheia. Ouvi histórias de idosos que se gastam pelos outros e também histórias de casais de esposos que diziam: "Completamos os 50 anos de matrimônio, 60 anos de matrimônio". É importante mostrar isso aos jovens que se cansam cedo; é importante o testemunho dos idosos na fidelidade. E nesta praça estavam tantos naquele dia. É uma reflexão a continuar, em âmbito seja eclesial seja civil. O Evangelho vem ao nosso encontro com uma imagem muito bela e comovente e encorajante. É a imagem de Simeão e de Ana, dos quais nos fala o Evangelho da infância de Jesus composto por Lucas. Eram certamente idosos, o "velho" Simeão e a "profetisa" Ana que tinha 84 anos. Esta mulher não escondia a idade. O Evangelho diz que esperavam a vinda de Deus todos os dias, com grande fidelidade, há muitos anos. Queriam propriamente vê-lo aquele dia, colher os sinais, intuir o início. Talvez estivessem um pouco resignados, por agora, a morrer primeiro: aquela longa espera continuava, porém, a ocupar toda a vida deles, não tinham compromissos mais importantes que isso: esperar o Senhor e rezar. Bem, quando Maria e José foram ao templo para cumprir as disposições da Lei, Simeão e Ana se moveram animados pelo Espírito Santo (cfr Lc 2, 27). O peso da idade e da espera desapareceu em um momento. Esses reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma nova tarefa: dar graças e dar testemunho para este Sinal de Deus. Simeão improvisou um belíssimo hino de júbilo (cfr Lc 2, 29-32) – foi um poeta naquele momento – e Ana se tornou a primeira pegadora de Jesus: "falava do menino a quantos esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2, 38).
Queridos avós, queridos idosos, coloquemo-nos nos passos desses anciãos extraordinários! Tornemo-nos também nós um pouco poetas da oração: tomemos gosto por procurar palavras nossas, reapropriemo-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos idosos e dos avós é um dom para a Igreja, é uma riqueza! Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída. Alguém deve, então, cantar, também para eles, cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles! Olhemos para Bento XVI, que escolheu passar na oração e na escuta de Deus a última etapa de sua vida! É belo isso! Um grande crente do século passado, de tradição ortodoxa, Olivier Clément, dizia: "Uma civilização onde não se reza mais é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isso é terrível, nós precisamos antes de tudo de idosos que rezam, porque a velhice nos é dada para isso". Precisamos de idosos que rezam porque a velhice nos é dada justamente para isso. É algo belo a oração dos idosos.
Nós podemos agradecer ao Senhor pelos benefícios recebidos e preencher o vazio da ingratidão que o circunda. Podemos interceder pelas expectativas das novas gerações e dar dignidade à memória e aos sacrifícios daquelas passadas. Nós podemos recordar aos jovens ambiciosos que uma vida sem amor é uma vida árida. Podemos dizer aos jovens amedrontados que a angústia do futuro pode ser vencida. Podemos ensinar aos jovens muito apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber. Os avôs e as avós formam o "coro" permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor apoiam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida.
A oração, enfim, purifica incessantemente o coração. O louvor e a súplica a Deus previnem o endurecimento do coração no ressentimento e no egoísmo. Como é ruim o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do seu testemunho, despreza os jovens e não comunica a sabedoria de vida! Em vez disso, como é bonito o encorajamento que o idoso consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! É realmente a missão dos avós, a vocação dos idosos. As palavras dos avós têm algo de especial, para os jovens. E eles sabem disso. As palavras que a minha avó me entregou por escrito no dia da minha ordenação sacerdotal as levo ainda comigo, sempre, no breviário e as leio e me faz bem.
Fonte: CNBB

Aniversariantes de Março


05/03 - Dom Fernando Barbosa

09/03 - Pe. Evaldo Carvalho

10/03 - Pe. Hermano Mestron

11/03 - Pe. Fantico Nonato

14/03 - Pe. Manoel Bonfim

19/03 - Pe. Junior Rebouças

19/03 - Pe.Janio José

29/03 - Pe. Marcos Mesquita

29/03 - Sem. Caio

Serviço de Animação Vocacional Vicentino

Província de Fortaleza da Congregação da Missão

Fortaleza, março de 2015

“Sigam-me, e eu farei de vocês se
tornarem pescadores de homens” Mc 1, 17


Estimado jovem, louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Espero que esta o encontre bem na fé e no amor de Deus.  Em Jesus Cristo e com Ele novo tempo começa neste Ano de 2015. Tempo de caminhada, tempo de fé, tempo de discernimento e, sobretudo, de escuta a voz de Jesus que continua nos chamando para sermos seus discípulos missionários.
São Vicente de Paulo, nosso fundador, aberto a graça de Deus e atento aos sinais dos tempos, pôde fazer esse caminho de amor afetivo e efetivo com Deus e os pobres. O carisma vicentino, inspirado pelo Espirito de Deus, continua vivo e atuante em nosso tempo onde os pobres precisam ser assistidos espiritual e corporalmente.
Assim, atentos ao chamado de Deus, a nos tornamos pescadores de homens, e inspirado pelo carisma vicentino, somos chamados a avançarmos às aguas mais profundas da nossa vocação.
Portanto, na alegria que vem de Cristo, queremos lhe convidar a fazer esse itinerário de discernimento rumo a descoberta e concretização da vocação no qual Deus lhe chama, de modo especial, no carisma vicentino.
1º Encontro vocacional Vicentino 2015 da PFCM
Data: 21 e 22 de março
Local: Casa Provincial São Vicente de Paulo¹
Hora: De 8:00h as 17:00h²
Obs: Confirmar a presença até o dia 19/03³

Desde já sinta-se acolhido!

Anderson Clay Souza da Silva,CM       _________________________________________________

Animador Vocacional Provincial

quinta-feira, 12 de março de 2015

Circular da Quaresma 2015

ONGREGAZIONE DELLA MISSIONE
CURIA GENERALIZIA, ROMA
Quaresma 2015, caminhando na via da reconciliação, da paz e da humildade
Roma, 18 de fevereiro de 2015 Quarta-feira de Cinzas
Meus caros irmãos e irmãs da Família Vicentina,
Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam para sempre em nossos corações!
O tempo da Quaresma é um tempo propício para a meditação dos mistérios da nossa fé. Novamente, somos convidados a unir-nos a Jesus no caminho em direção a Jerusalém para acompanhá-lo até o Calvário, esperar em silêncio no sepulcro e conhecer a glória de sua ressurreição que Ele partilha conosco. O Evangelho da Quarta-feira de Cinzas nos lembra que por detrás da riqueza dos símbolos exteriores deste tempo de graça, a Quaresma é uma caminhada interior: “Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” (Mt 6, 6).
O tema desta reflexão de Quaresma está centrado sobre a reconciliação, a paz e a humildade; eu o escolhi após as lições que retirei das visitas pastorais aos serviços das Filhas da Caridade na Coreia do Sul, em Nagasaki no Japão, na Mauritânia, na Tunísia e na África. Em meio às inquietações, às tensões, às dores e aos sofrimentos que vivemos em nosso mundo e em nossas próprias vidas, a Quaresma nos oferece inúmeras ocasiões para entrar no “espaço interior” da nossa alma a fim de encontrar e acolher um conjunto de consolações que chegam até nós graças à reconciliação, a paz e a humildade.
A reconciliação
Quando visitei as Filhas da Caridade na Coreia do Sul, elas me levaram ao “Parque da reconciliação” uma extensão de terra entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Foi construído após a guerra da Correia, num esforço de colaboração entre o governo e os cidadãos. Os Coreanos vão a este parque para refletir e rezar pela reconciliação nesta península, constituída por dois países mas de um só povo, que partilha a mesma história, a mesma língua e a mesma cultura. As Filhas da Caridade fizeram da nossa visita uma peregrinação, enquanto caminhávamos lentamente através do parque, íamos meditando e rezando. Esta experiência une-se à Quaresma que nos chama a buscar a reconciliação em nossas próprias vidas, começando pela reconciliação interior quando tomamos consciência que somos filhos muito amados de Deus. Somente após isto é que podemos nos aproximar de nossas famílias, de nossos vizinhos, de nossas comunidades religiosas, do nosso trabalho, de nossos serviços e das associações às quais pertencemos, com gestos de reconciliação. Agindo assim, aprofundamos nossos laços de irmãos e irmãos em nosso Senhor Jesus Cristo.
Quando deixamos este espírito de reconciliação impregnar nossas vidas, podemos nos identificar com o Filho Pródigo, cuja passagem da escritura nos é apresentada durante a Quaresma. Nós que estávamos “mortos”, voltamos à vida, estávamos perdidos e “fomos reencontrados por nosso Pai que quer “festejar e se alegrar” conosco (Lc 15, 32). São Vicente de Paulo, que dedicou a vida para levar a reconciliação às pessoas vindas de todos os lugares da sociedade, dizia: “o bem da paz e (da reconciliação)… é coisa tão grande e agradável a Deus que ele diz a cada um de nós: “Inquire pacem et persequere eam”- Buscai a paz e procurai-a com insistência” (Carta 150, de 16 de setembro de 1633, SV I, pág. 240).
Nesta Quaresma, rezemos pela reconciliação entre as nações, por exemplo entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, entre as regiões, os países, em nossas famílias e comunidades, para que sejamos pessoas cuja vida e atos reflitam o amor de Cristo que conduz à reconciliação. Somente através da pessoa de Jesus, é que podemos realmente chegar a uma reconciliação autêntica com um efeito duradouro tanto para a Igreja como para a sociedade.
A paz 
A paz é fruto da reconciliação que me conduziu à segunda peregrinação, à Kobe no Japão, durante minha visita aos coirmãos Lazaristas e às Filhas da Caridade. Fomos à Nagasaki, uma cidade que conta com o maior número de católicos do Japão. Como a história atesta, uma bomba atômica atingiu Nagasaki, no dia 9 de agosto de 1945. Após esta horrível experiência, o Japão e outras pessoas de boa vontade buscaram uma maneira visível de promover a paz em meio a esta tragédia. Eles construíram um “Parque da paz”, que nós visitamos, cheio de símbolos de paz doados pelos países e pelas pessoas do mundo inteiro.
O principal símbolo que chamou minha atenção foi a estátua de um homem sentado, com um braço estendido e outro levantado para o céu, representando um apelo à paz. Com um pé no chão e o outro cruzado sobre seu joelho, ele quer simbolizar que a busca pela paz comporta a necessidade de contemplação (um pé cruzado) e de ação (um pé no chão). A mão estendida simboliza também que todos os homens devem ser artesãos da paz e, a mão levantada para o alto, indica que é preciso a ajuda de Deus para suscitar as verdadeiras obras de paz.
A raiz da reconciliação é a paz, necessária para cada um de nós e começa em nosso coração. Somente depois disto é que ela cria raízes em nossas famílias, nossas comunidades religiosas, nos nossos vizinhos, em nosso trabalho, nossos serviços e nas associações a que pertencemos. Como Família Vicentina, devemos nos esforçar para cultivar a paz e promove-la de todas as maneiras possíveis. São Vicente nos lembra que “a caridade exige que procuremos colocar a paz onde ela não existe” (Carta 2054 de 23 de abril de 1656, Coste V, pág. 602).
Esta Quaresma nos oferece um momento ideal para rezar pela paz, no momento que vivemos num contexto de ameaças constantes de guerra, de terrorismo e de violência do nosso mundo. Esta iniciativa em direção à reconciliação, cujo fruto é a paz, realiza-se praticando a virtude da humildade. Eu vi esta virtude em ação com todo o seu poder, durante a minha visita às Filhas da Caridade na Mauritânia e na Tunísia.
Humildade
Para exercer seu serviço aos pobres nestes países, as Filhas da Caridade devem fazê-lo humilde e discretamente. Na Mauritânia, um país que se diz ser 100% muçulmano, as Filhas da Caridade trabalham com comunidades religiosas de origem cristã que não são reconhecidas neste país como entidades visíveis. Nestes países, as Filhas da Caridade praticam uma grande humildade, pessoal e em comunidade, pois trabalham em associações leigas que servem os pobres. Embora não sejam as responsáveis, devem trabalhar com aqueles que as dirigem.
Viver e trabalhar em tal ambiente exige a reconciliação e a paz interior para aceitar estas circunstâncias. Isto pede sobretudo uma verdadeira humildade, uma “kénose” para esvaziar-se de si mesmo. É difícil viver em um ambiente onde não se é aceito, nem reconhecido. É ainda mais delicado quando não existe possibilidade de dar um testemunho público da Igreja, nem do nosso carisma vicentino.
Assim, a prática da virtude da humildade só é possível através de uma vida interior sólida de oração e apoio mútuo em comunidade. Nunca é fácil abandonar a necessidade de controle, de busca de aprovação e de reconhecimento do ego humano. A presença das Filhas da Caridade da Província da África do Norte é um testemunho discreto mas firme da virtude da humildade. Permite continuar o nosso carisma de serviço dos pobres, sobretudo o serviço às pessoas que vivem às margens. Estes são os pobres de Deus e de São Vicente, os pequenos que são muitas vezes deixados de lado, até mesmo esquecidos.
Atualmente, as Filhas da Caridade e os membros da Família Vicentina servem em situações semelhantes no mundo inteiro. Em seu serviço humilde e muitas vezes escondido, fazem-se um com os pobres através do seu testemunho voluntário. São Vicente dizia: “A humildade, pois, consiste em aniquilar-se diante de Deus e em destruir-se a si mesmo para colocar Deus em seu coração, sem buscar a estima e a boa opinião dos homens; em combater continuamente todos os movimentos de vaidade… A humildade faz (com que a pessoa) se aniquile, para que somente Deus apareça e a Ele seja dada toda glória” (Carta 211 de 22 de agosto de 1659, Coste XII, pág.304).
De acordo com minha própria experiência, para trabalhar a reconciliação e obter a paz em nosso coração, devemos adquirir e praticar a virtude da humildade. Para alcançar este objetivo, o melhor é examinar-nos com toda honestidade e abertura de coração diante de Deus. Isto nos conduz ao que São Paulo chamava “kénose”, ao nosso esvaziamento. Nosso modelo é o Cristo que “embora fosse de divina condição, não se apegou ciosamente a ser igual em natureza a Deus Pai. Porém esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante. Reconhecido exteriormente como homem” (Fl 2, 6-7). Na vida cristã, esta lição de humildade que consiste em “esvaziar-se” não é somente uma realização individual, mas uma parte essencial da nossa identidade como Igreja. A Quaresma nos chama a uma conversão do coração pessoal e comunitária.
Um coração cheio de misericórdia 
A mensagem da Quaresma do Papa Francisco tem como título: “Fortalecei os vossos corações !” (Tg 5, 8), um tema totalmente indicado para nossa reflexão. Somente praticando a humildade, a paz e a reconciliação é que nossos corações poderão tornar-se fortes e enraizados na misericórdia e no amor do Cristo. A Quaresma é um tempo para buscar uma renovação interior na oração, uma imersão na Escritura, na Eucaristia diária e na vivência do nosso carisma vicentino do serviço aos pobres. Tudo isso nos chama a ter um coração forte. Escutemos estas palavras do nosso Santo Padre:
Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador, mas aberto a Deus; um coração que se deixa impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: “Fac cor nostrum secundum cor tuum”: “Fazei o nosso coração semelhante ao vosso” (Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para a Quaresma, 2015, pág. 3).
Que esta Quaresma nos ajude a crescer no amor de Cristo e do nosso carisma vicentino, quando caminhamos sobre a via da reconciliação e que tomamos a vereda da paz com o “coração contrito e humilhado” (Sl 50, 19).
Seu Irmão em São Vicente,
G. Gregory Gay, C.M.
Superior geral

sábado, 24 de janeiro de 2015

Novo Cardeal da Congregação da Missão

                       cardeal
O Papa Francisco anunciou os nomes dos novos cardeais, que receberão o barrete cardinalício no próximo 14 de fevereiro. O critério mais evidente é o de universalidade. Estão representantes de 14 países diferentes, incluindo alguns que atualmente não têm nenhum cardeal, e alguns que nunca tiveram.
Um dos novos Cardeais é o Arcebispo Berhaneyesus Souraphiel (Etiópia), da Congregação da Missão. Recordamos a sua passagem por Portugal no passado mês de novembro.


Fonte: http://padresvicentinos.org/pt/novo-cardeal-da-congregacao-da-missao/

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Circular do Superior Geral - Advento 2014

Advento 2014, tempo de oração, de paz e de lugar para os pobres


Roma, 30 de novembro de 2014

Primeiro Domingo do Advento

Queridos irmãos e queridas irmãs em Jesus e São Vicente,
Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre em nossos corações!
O tempo do Advento chegou, um tempo favorável para meditar os mistérios de nossa fé. As Escrituras, as narrações e os hinos do Advento nos convocam a entrar em oração, a procurar a paz de Cristo e a abrir nossos corações e nossas mãos para servir aqueles que Deus escolheu, nossos « Senhores e Mestres », os pobres.
Nesta carta de Advento, vou partilhar três experiências simples mas profundas que vivi num dia. Elas tocaram meu coração e me levaram a refletir na necessidade de rezar, na busca da paz e num compromisso mais profundo no serviço dos pobres. Isso se passou durante minha visita a um Santuário Mariano, meu encontro com Irmãs contemplativas e minha participação na Missa e partilha de uma refeição com um grupo de toxicômanos em vias de recuperação.
No dia 27 de setembro, festa de São Vicente de Paulo, cheguei ao Cazaquistão no Santuário nacional consagrado à Nossa Senhora, Rainha da Paz, situado em um pequeno povoado. Depois de ter viajado uma noite inteira com um Coirmão Polonês a serviço da missão no Cazaquistão e com o Padre Stan Zontak, fomos acolhidos calorosamente pelo Arcebispo, cuja diocese tem duas vezes o tamanho da Itália! Este Santuário abriga « a estrela do Cazaquistão », um altar consagrado à paz, um dos doze que existem no mundo. Para que um altar à paz neste lugar tão remoto? Atrás do Santuário se encontra uma montanha com uma cruz que indica o centro da Eurásia. « A estrela do Cazaquistão » contém pedras e metais preciosos da região. Ela está centrada em Maria cujo coração contém a Eucaristia para mostrar que Jesus nasceu de seu coração pleno de amor.
Depois desta experiência emocionante, o Arcebispo nos conduziu a um mosteiro no povoado, onde encontrei quatro Irmãs Carmelitas contemplativas. Tivemos uma conversa maravilhosa! Falaram de sua vida com simplicidade e manifestaram reconhecimento ao Arcebispo e às pessoas do lugar pelo seu apoio. São mulheres felizes que expressavam como a oração é o coração de sua vida. Isso me comoveu profundamente.
A última etapa da viagem do dia foi a visita a um lar para pessoas em vias de recuperação da dependência de drogas e do álcool. Ele é conduzido por uma mulher profundamente engajada em nosso carisma vicentino, que diz ser seu dever de cristã assegurar um serviço de proximidade com os pobres, sobretudo os toxicômanos. O programa é simples e é oferecido em um ambiente limpo e caloroso, muito necessário no Cazaquistão. Quando o Arcebispo chegou, celebrou a Eucaristia e em seguida partilhamos a refeição e trocamos ideias, – éramos doze!
Após a refeição, o Arcebispo pediu-me para dirigir algumas palavras ao grupo. As observações que então formulei constituem o fundamento de minha mensagem para esta carta de Advento. Mais tarde, reconsiderei que era uma maravilhosa experiência a viver para a festa de São Vicente. Tendo em conta a importância deste dia e das pessoas que encontrei, creio que o Senhor me convidava a meditar sobre três fins essenciais para minha vida e para a Família Vicentina. O Advento 2014 é um apelo a se comprometer na oração, a procurar a paz e a servir alegremente os pobres de Deus. 

Um tempo para REZAR
Após minha visita às Carmelitas em seu mosteiro, meditei sobre a necessidade de rezar em minha própria vida. Nosso carisma nos convida a rezar como contemplativos na ação, a deixar a agitação do mundo e outras distrações e a nos centrar na presença de Jesus na Palavra e na Eucaristia. No diálogo com estas Irmãs, fiquei impressionado pelo seu testemunho simples e alegre da partilha da fé. Como contemplativos ativos, devemos também vir à parte para descansar e meditar com o Senhor.
Como São Vicente dizia a seus primeiros Coirmãos: « a vida apostólica não exclui a contemplação, mas abraça-a e dela aproveita-se para melhor conhecer as verdades eternas que deve anunciar » (Coste III, L1054 p. 347). Neste Advento, encontremos tempo, em nossas vidas ocupadas, para rezar diante do Senhor. Quer sejamos padres, irmãos, irmãs ou leigos, todos os membros da Família Vicentina sabem que a oração é indispensável, pois ela é a força que motiva o que fazemos. É uma marca distinta de nosso serviço que nos enraíza no amor de Deus. Ela nos ajuda a ver a presença de Deus em seus pobres. 

Um tempo de PAZ
No altar da estrela do Cazaquistão, meditei sobre o estado atual de nosso mundo, com a falta de paz sobre a terra. Quer seja no Iraque, na Síria, ou na Nigéria e em muitos outros lugares, somos constantemente testemunhas de atos de violência, do terrorismo, de conflitos de fronteiras e de tribos que ameaçam a paz que procuramos. Hoje as pessoas têm necessidade urgente de aprender a viver em paz. Após ter visitado este Santuário, tomei consciência que a busca da paz começa por mim.
Considerei São Vicente como um exemplo de alguém que buscou a paz e a compartilhou com os outros. Ele dizia à Santa Luísa: « O reino de Deus é paz no Espírito Santo; Ele reinará sobre vós, se vosso coração estiver em paz. Permanecei, portanto em paz, senhora, e vós honrareis soberanamente o Deus da paz e do amor » (Coste I, C.71, p.126). Vicente vivia numa época em que a violência, as guerras e as revoltas eram comuns na França. Quando isso ocorria, eram os pobres que mais sofriam.
No entanto, São Vicente era um artesão da paz e defensor dos pobres. Fez com que a Igreja e a Realeza tomassem conhecimento do quanto esses conflitos faziam sofrer «nossos Senhores e Mestres, os pobres». Como Família Vicentina, devemos ser defensores e instrumentos da paz de Deus. Neste Advento, busquemos a paz interior para estarmos unidos ao Príncipe da Paz, de quem o profeta Miqueias dizia: « Ele se erguerá e apascentará o rebanho pela força do Senhor… E assim será a paz! » (Mi 5, 3-4)

Um serviço alegre dos POBRES 
Depois de uma intensa experiência de oração no Santuário e uma paz profunda vivida com as Irmãs no mosteiro, tive a oportunidade de participar da Missa e de tomar parte na refeição no lar. Senti Nosso Senhor presente de duas maneiras significativas: no altar e na mesa da refeição. Quando passei do Corpo eucarístico de Cristo na capela do lar para a pequena sala de jantar, percebi nesses toxicômanos em vias de recuperação, o corpo maltratado, mas não aniquilado de Cristo. Rezando e compartilhando uma refeição com eles, recebi a graça de ver que todos nós fazemos parte do corpo místico de Cristo.
Jesus nasceu na pobreza e viveu num meio modesto. Esta realidade – a pobreza de Nosso Senhor durante sua vida terrena – não é um relato monótono de Natal, mas a história da salvação. Deus se revela aos anawim, uma palavra hebraica que significa, literalmente: « os pobres que dependem do Senhor para sua libertação ». No Evangelho de Mateus, o primeiro grande ensinamento de Jesus é o das Bem-aventuranças para nos lembrar que Jesus e seu Pai se identificam com os menores dentre nós. No final de cada ano litúrgico, ouvimos a parábola de Mateus sobre o julgamento final como um desafio que nos é dirigido: « Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizeste » (Mt 25,40).
São Vicente nos lembra esta ligação intrínseca entre nossa salvação e o serviço aos pobres: « Não podemos assegurar melhor a nossa felicidade eterna do que vivendo e morrendo a serviço dos pobres, entre os braços da Providência e numa constante renúncia de nós mesmos, para seguir Jesus Cristo » (Coste III, L. 1078, p.392). Que este Advento seja um tempo em que, depois de ter rezado e buscado a paz do Senhor, repartamos renovados a serviço dos pobres de Deus.

O Advento como um tempo para a CONVERSÃO DO CORAÇÃO
Desde o meu retorno do Cazaquistão, tive a oportunidade de visitar Províncias, missões e ramos da Família Vicentina na Europa, Caribe e África, mas guardo na memória esta celebração da festa de São Vicente. Senti que o Senhor me chamava, como Superior Geral, a refletir sobre a melhor maneira de integrar oração, paz e serviço aos pobres em minha própria vida. Tornei-me mais consciente dos momentos em que eu não fui um homem de paz, de oração ou um servo dos pobres. Pedi ao Senhor a graça do perdão. Mencionei isso no lar, e de bom grado partilho com todos no momento em que entramos juntos neste Advento.
Neste primeiro Domingo do Advento, o profeta Isaías descreve a verdade sobre nossa condição humana: « Senhor, nós somos a argila da qual sois o oleiro, todos nós fomos modelados por vossas mãos » (Is 64,7). O Advento é um tempo para nos confiar novamente no amor misericordioso de Deus interiorizando as histórias bíblicas de nossa salvação. Graças a vida de pessoas como Maria, José, João Batista, Zacarias e Isabel, experimentamos o poder salvador de Deus, o pastor de nossas almas. Suas histórias de salvação estão relacionadas à história de nossas vidas.
Um bom Advento nos ajudará a ver que Deus quer abrir nossas mentes e nossos corações para « Preparar o caminho do Senhor » (Mc1,3). O segundo prefácio do Advento antes da oração eucarística expressa de uma maneira muito bela o verdadeiro significado deste tempo litúrgico: « O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores ».
Um mês após minha viagem ao Cazaquistão, li o discurso do Papa Francisco durante o encerramento do Sínodo dos Bispos, em outubro. Partilho com todos o que realmente considero um «trecho Vicentino», que irá nos guiar durante o Advento para nos tornar mais fervorosos, a fim de buscar mais a paz e ser mais alegres no serviço dos pobres. 
« E esta é a Igreja, a vinha do Senhor… que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o óleo e o vinho nas feridas dos homens; que não olha a humanidade de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja… formada por pecadores, necessitados da Sua misericórdia. Esta é a igreja, a verdadeira esposa de Cristo… que não tem medo de comer e beber com as prostitutas e os publicanos. A Igreja que tem as portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos e não somente os justos ou aqueles que acreditam ser perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído…, ao contrário, se sente envolvida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo a retomar seu caminho e o acompanha… » Papa Francisco, 18 de outubro de 2014 (trecho do seu discurso para o encerramento da Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos)
Que Jesus evangelizador dos pobres fortaleça-os, que São Vicente os inspire e guie neste Advento, como durante o próximo ano.

Seu irmão em São Vicente,

Gregory Gay, C.M.
Superior Geral