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CASA DE RETIRO E ENCONTROS

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Carta para o dia de Santificação do Clero

Caros Sacerdotes, 
Na próxima solenidade do Sagrado Coração de Jesus (que será no dia 15 de junho de 2012) 
celebraremos, como de costume, a “ Jornada Mundial de Oração pela Santificação do Clero”. 
A expressão da Escritura, «esta é a vontade de Deus: a vossa santificação !» (1Ts 4,3), mesmo que dirigida a todos os cristãos, refere -se de modo particular a nós, sacerdotes, que  respondemos não apenas ao convite de “santificar -nos”, mas também àquele de nos  tornarmos “ministros da santificação” para os nossos irmãos. 
Em nosso caso, esta “vontade de Deus”, por  assim dizer, redobrou -se, multiplicou-se ao  infinito, e isto de tal modo que podemos e devemos obedecê -la em cada ação ministerial que levamos a cabo. 
Este é o nosso magnífico destino:  não podemos santificar-nos sem trabalhar pela  santificação dos nossos irmãos, e não podemos trabalhar pela santificação dos nossos  irmãos sem que primeiro tenhamos trabalhado e ainda trabalhemos em nossa própria  santificação. 
Introduzindo a Igreja no novo milênio, o Beato João Paulo II nos recordava a normalidade deste  “ideal de perfeição”, que deve ser oferecido desde o início a todos:  «Perguntar a um 
catecúmeno: “Queres receber o Batismo?” significa ao mesmo tempo perguntar-lhe:  “Queres fazer-te santo?”» (Beato JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Novo millennio ineunte, 6  de janeiro de 2001, n. 31.) 
Certamente, no dia da nossa Ordenação Sacerdotal, esta mesma pergunta batismal ressoou  novamente em nosso coração, solicitando ainda a nossa resposta pessoal; mas esta nos foi  feita, também, para que soubéssemos transmiti -la aos nossos fiéis, conservando-lhe a beleza 
e a preciosidade. 

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

                                                            Das Obras de São Boaventura, bispo 
(Opusculum 3, Lignum vitae, 29-30.47 Opera omnia 8,79) (Séc.XIII)
Em vós está a fonte da vida
Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder deconferir a vida da graça, tornando-separa os que já vivem em Cristo bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).
Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3). Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira.
Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade.
Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!”
De ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao vosso nome, sabendo por experiência que em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10).

terça-feira, 12 de junho de 2012

Santo Antônio de Pádua, presbítero (I.226) (Séc.XII)

A palavra é viva quando são as obras que falam

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as vêem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.
Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.
 Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas idéias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. 
Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32). 
Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno eTrino.