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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Circular do Superior Geral - Advento 2014

Advento 2014, tempo de oração, de paz e de lugar para os pobres


Roma, 30 de novembro de 2014

Primeiro Domingo do Advento

Queridos irmãos e queridas irmãs em Jesus e São Vicente,
Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre em nossos corações!
O tempo do Advento chegou, um tempo favorável para meditar os mistérios de nossa fé. As Escrituras, as narrações e os hinos do Advento nos convocam a entrar em oração, a procurar a paz de Cristo e a abrir nossos corações e nossas mãos para servir aqueles que Deus escolheu, nossos « Senhores e Mestres », os pobres.
Nesta carta de Advento, vou partilhar três experiências simples mas profundas que vivi num dia. Elas tocaram meu coração e me levaram a refletir na necessidade de rezar, na busca da paz e num compromisso mais profundo no serviço dos pobres. Isso se passou durante minha visita a um Santuário Mariano, meu encontro com Irmãs contemplativas e minha participação na Missa e partilha de uma refeição com um grupo de toxicômanos em vias de recuperação.
No dia 27 de setembro, festa de São Vicente de Paulo, cheguei ao Cazaquistão no Santuário nacional consagrado à Nossa Senhora, Rainha da Paz, situado em um pequeno povoado. Depois de ter viajado uma noite inteira com um Coirmão Polonês a serviço da missão no Cazaquistão e com o Padre Stan Zontak, fomos acolhidos calorosamente pelo Arcebispo, cuja diocese tem duas vezes o tamanho da Itália! Este Santuário abriga « a estrela do Cazaquistão », um altar consagrado à paz, um dos doze que existem no mundo. Para que um altar à paz neste lugar tão remoto? Atrás do Santuário se encontra uma montanha com uma cruz que indica o centro da Eurásia. « A estrela do Cazaquistão » contém pedras e metais preciosos da região. Ela está centrada em Maria cujo coração contém a Eucaristia para mostrar que Jesus nasceu de seu coração pleno de amor.
Depois desta experiência emocionante, o Arcebispo nos conduziu a um mosteiro no povoado, onde encontrei quatro Irmãs Carmelitas contemplativas. Tivemos uma conversa maravilhosa! Falaram de sua vida com simplicidade e manifestaram reconhecimento ao Arcebispo e às pessoas do lugar pelo seu apoio. São mulheres felizes que expressavam como a oração é o coração de sua vida. Isso me comoveu profundamente.
A última etapa da viagem do dia foi a visita a um lar para pessoas em vias de recuperação da dependência de drogas e do álcool. Ele é conduzido por uma mulher profundamente engajada em nosso carisma vicentino, que diz ser seu dever de cristã assegurar um serviço de proximidade com os pobres, sobretudo os toxicômanos. O programa é simples e é oferecido em um ambiente limpo e caloroso, muito necessário no Cazaquistão. Quando o Arcebispo chegou, celebrou a Eucaristia e em seguida partilhamos a refeição e trocamos ideias, – éramos doze!
Após a refeição, o Arcebispo pediu-me para dirigir algumas palavras ao grupo. As observações que então formulei constituem o fundamento de minha mensagem para esta carta de Advento. Mais tarde, reconsiderei que era uma maravilhosa experiência a viver para a festa de São Vicente. Tendo em conta a importância deste dia e das pessoas que encontrei, creio que o Senhor me convidava a meditar sobre três fins essenciais para minha vida e para a Família Vicentina. O Advento 2014 é um apelo a se comprometer na oração, a procurar a paz e a servir alegremente os pobres de Deus. 

Um tempo para REZAR
Após minha visita às Carmelitas em seu mosteiro, meditei sobre a necessidade de rezar em minha própria vida. Nosso carisma nos convida a rezar como contemplativos na ação, a deixar a agitação do mundo e outras distrações e a nos centrar na presença de Jesus na Palavra e na Eucaristia. No diálogo com estas Irmãs, fiquei impressionado pelo seu testemunho simples e alegre da partilha da fé. Como contemplativos ativos, devemos também vir à parte para descansar e meditar com o Senhor.
Como São Vicente dizia a seus primeiros Coirmãos: « a vida apostólica não exclui a contemplação, mas abraça-a e dela aproveita-se para melhor conhecer as verdades eternas que deve anunciar » (Coste III, L1054 p. 347). Neste Advento, encontremos tempo, em nossas vidas ocupadas, para rezar diante do Senhor. Quer sejamos padres, irmãos, irmãs ou leigos, todos os membros da Família Vicentina sabem que a oração é indispensável, pois ela é a força que motiva o que fazemos. É uma marca distinta de nosso serviço que nos enraíza no amor de Deus. Ela nos ajuda a ver a presença de Deus em seus pobres. 

Um tempo de PAZ
No altar da estrela do Cazaquistão, meditei sobre o estado atual de nosso mundo, com a falta de paz sobre a terra. Quer seja no Iraque, na Síria, ou na Nigéria e em muitos outros lugares, somos constantemente testemunhas de atos de violência, do terrorismo, de conflitos de fronteiras e de tribos que ameaçam a paz que procuramos. Hoje as pessoas têm necessidade urgente de aprender a viver em paz. Após ter visitado este Santuário, tomei consciência que a busca da paz começa por mim.
Considerei São Vicente como um exemplo de alguém que buscou a paz e a compartilhou com os outros. Ele dizia à Santa Luísa: « O reino de Deus é paz no Espírito Santo; Ele reinará sobre vós, se vosso coração estiver em paz. Permanecei, portanto em paz, senhora, e vós honrareis soberanamente o Deus da paz e do amor » (Coste I, C.71, p.126). Vicente vivia numa época em que a violência, as guerras e as revoltas eram comuns na França. Quando isso ocorria, eram os pobres que mais sofriam.
No entanto, São Vicente era um artesão da paz e defensor dos pobres. Fez com que a Igreja e a Realeza tomassem conhecimento do quanto esses conflitos faziam sofrer «nossos Senhores e Mestres, os pobres». Como Família Vicentina, devemos ser defensores e instrumentos da paz de Deus. Neste Advento, busquemos a paz interior para estarmos unidos ao Príncipe da Paz, de quem o profeta Miqueias dizia: « Ele se erguerá e apascentará o rebanho pela força do Senhor… E assim será a paz! » (Mi 5, 3-4)

Um serviço alegre dos POBRES 
Depois de uma intensa experiência de oração no Santuário e uma paz profunda vivida com as Irmãs no mosteiro, tive a oportunidade de participar da Missa e de tomar parte na refeição no lar. Senti Nosso Senhor presente de duas maneiras significativas: no altar e na mesa da refeição. Quando passei do Corpo eucarístico de Cristo na capela do lar para a pequena sala de jantar, percebi nesses toxicômanos em vias de recuperação, o corpo maltratado, mas não aniquilado de Cristo. Rezando e compartilhando uma refeição com eles, recebi a graça de ver que todos nós fazemos parte do corpo místico de Cristo.
Jesus nasceu na pobreza e viveu num meio modesto. Esta realidade – a pobreza de Nosso Senhor durante sua vida terrena – não é um relato monótono de Natal, mas a história da salvação. Deus se revela aos anawim, uma palavra hebraica que significa, literalmente: « os pobres que dependem do Senhor para sua libertação ». No Evangelho de Mateus, o primeiro grande ensinamento de Jesus é o das Bem-aventuranças para nos lembrar que Jesus e seu Pai se identificam com os menores dentre nós. No final de cada ano litúrgico, ouvimos a parábola de Mateus sobre o julgamento final como um desafio que nos é dirigido: « Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizeste » (Mt 25,40).
São Vicente nos lembra esta ligação intrínseca entre nossa salvação e o serviço aos pobres: « Não podemos assegurar melhor a nossa felicidade eterna do que vivendo e morrendo a serviço dos pobres, entre os braços da Providência e numa constante renúncia de nós mesmos, para seguir Jesus Cristo » (Coste III, L. 1078, p.392). Que este Advento seja um tempo em que, depois de ter rezado e buscado a paz do Senhor, repartamos renovados a serviço dos pobres de Deus.

O Advento como um tempo para a CONVERSÃO DO CORAÇÃO
Desde o meu retorno do Cazaquistão, tive a oportunidade de visitar Províncias, missões e ramos da Família Vicentina na Europa, Caribe e África, mas guardo na memória esta celebração da festa de São Vicente. Senti que o Senhor me chamava, como Superior Geral, a refletir sobre a melhor maneira de integrar oração, paz e serviço aos pobres em minha própria vida. Tornei-me mais consciente dos momentos em que eu não fui um homem de paz, de oração ou um servo dos pobres. Pedi ao Senhor a graça do perdão. Mencionei isso no lar, e de bom grado partilho com todos no momento em que entramos juntos neste Advento.
Neste primeiro Domingo do Advento, o profeta Isaías descreve a verdade sobre nossa condição humana: « Senhor, nós somos a argila da qual sois o oleiro, todos nós fomos modelados por vossas mãos » (Is 64,7). O Advento é um tempo para nos confiar novamente no amor misericordioso de Deus interiorizando as histórias bíblicas de nossa salvação. Graças a vida de pessoas como Maria, José, João Batista, Zacarias e Isabel, experimentamos o poder salvador de Deus, o pastor de nossas almas. Suas histórias de salvação estão relacionadas à história de nossas vidas.
Um bom Advento nos ajudará a ver que Deus quer abrir nossas mentes e nossos corações para « Preparar o caminho do Senhor » (Mc1,3). O segundo prefácio do Advento antes da oração eucarística expressa de uma maneira muito bela o verdadeiro significado deste tempo litúrgico: « O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores ».
Um mês após minha viagem ao Cazaquistão, li o discurso do Papa Francisco durante o encerramento do Sínodo dos Bispos, em outubro. Partilho com todos o que realmente considero um «trecho Vicentino», que irá nos guiar durante o Advento para nos tornar mais fervorosos, a fim de buscar mais a paz e ser mais alegres no serviço dos pobres. 
« E esta é a Igreja, a vinha do Senhor… que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o óleo e o vinho nas feridas dos homens; que não olha a humanidade de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja… formada por pecadores, necessitados da Sua misericórdia. Esta é a igreja, a verdadeira esposa de Cristo… que não tem medo de comer e beber com as prostitutas e os publicanos. A Igreja que tem as portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos e não somente os justos ou aqueles que acreditam ser perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído…, ao contrário, se sente envolvida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo a retomar seu caminho e o acompanha… » Papa Francisco, 18 de outubro de 2014 (trecho do seu discurso para o encerramento da Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos)
Que Jesus evangelizador dos pobres fortaleça-os, que São Vicente os inspire e guie neste Advento, como durante o próximo ano.

Seu irmão em São Vicente,

Gregory Gay, C.M.
Superior Geral

Aniversariantes de Dezembro

04/12 - Pe. Erlan
12/12 - Pe. Adriano
20/12 - Pe. Pedro Gotardo
24/12 - Pe. Antonio Carlos
26/12 - Pe. Francisco Sergio

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Filme sobre Santa Catarina Labouré

Ano da Vida Consagrada


VIDA CONSAGRADA NA IGREJA HOJE – EVANGELHO-PROFECIA-ESPERANÇA
Ano da Igreja
  1. 1.      Ações em nível internacional
a) 29 de Novembro de 2014 – Vigília de Oração em preparação – Basílica Papal de Santa Maria Maior - Roma
 b) 30 de Novembro de 2014 – Abertura Oficial na Basílica de S.Pedro – Roma;
c) 22 - 25 de Janeiro de 2015 – Congresso Ecumênico para Consagrados(as) de outras Igrejas;
d) 08 - 11 de abril de 2015 – Congresso para Formadores(as), para aprofundar os critérios que provém de uma espiritualidade de comunhão;
e) 23 - 26 de setembro de 2015  - Congresso para Jovens Consagrados(as) da Vida Consagrada – até 10 anos;
f) 26/01 – 02/02/2016  - VIDA CONSAGRADA EM COMUNHÃO (Simpósios) -  O fundamento comum na diversidade:   27 a 30:  Institutos de Vida Consagrada e Soc. de Vida Apostólica;  27 a 30: Novos Institutos e Novas Formas de VC;   28 a 31: Vida Monástica;   29 a 31: Institutos Seculares;  29 a 31: “Ordo Virginum”;
g) 30 de Janeiro de 2016 – Vigília de Ação de Graças – Basilica S.Pedro – Roma;
h) 01 de fevereiro de 2016 – Audiência da Vida Consagrada com o Papa Francisco;
i) 02 de fevereiro  2016 -  Encerramento oficial do Ano da Vida Consagrada – Roma;
j) Publicação de materiais e documentos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Apresentação de Nossa Senhora

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermoes 25,7-8: PL 46,937-938)(Séc.V) 
Aquela que acreditou em virtude da fé,
também pela fé concebeu
Prestai atenção, rogo-vos, naquilo que Cristo Senhor diz, estendendo a mão para seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de meu Pai que me enviou, este é meu irmão, irmã e mãe (Mt 12,49-50). Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação e que foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Sim! Ela o fez! Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente.
Vede se não é assim como digo. O Senhor passava acompanhado pelas turbas, fazendo milagres divinos, quando certa mulher exclamou: Bem-aventurado o seio que te trouxe. Feliz o ventre que te trouxe! (Lc 11,27) O Senhor, para que não se buscasse a felicidade na carne, que respondeu então? Muito mais felizes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lc 11,28). Por conseguinte, também aqui é Maria feliz, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou. Guardou a verdade na mente mais do que a carne no seio. Verdade, Cristo; carne, Cristo; a verdade-Cristo na mente de Maria; a carne-Cristo no seio de Maria. É maior o que está na mente do que o trazido no seio.
Santa Maria, feliz Maria! Contudo, a Igreja é maior que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é porção da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas membro do corpo total. Se ela pertence ao corpo total, logo é maior o corpo que o membro. A cabeça é o Senhor; e o Cristo total, é a cabeça e o corpo. Que direi? Temos cabeça divina, temos Deus por cabeça!
Portanto, irmãos, dai atenção avós mesmos. Também vós sois membros de Cristo, também vós sois corpo de Cristo. Vede de que modo o sois. Diz: Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12,49). Como sereis mãe de Cristo? Todo aquele que ouve e faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão e irmã e mãe (cf. Mt 12,50). Pensai: entendo irmão, entendo irmã; é uma só a herança, e é essa a misericórdia de Cristo que, sendo único, não quis ficar sozinho; quis que fôssemos herdeiros do Pai, co-herdeiros seus.



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Catequese do Papa Francisco. 19/11/14

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e ter voltado a entender também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto ajudou-nos a compreender melhor que, enquanto baptizados, todos os cristãos têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação, que é a santidade (cf. Const. Lumen gentium, 39-42). Agora, interroguemo-nos: em que consiste esta vocação universal a sermos santos? E como a podemos realizar?


Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.

Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra. Mas tu és consagrado, consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo...». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Filme "Irmã Dulce" estreia nos cinemas do Brasil

"A verdade se impõe; a verdade ilumina; a verdade liberta. Um filme sobre Irmã Dulce só teria sentido se fosse expressão da verdade de sua vida. Não fosse verdadeiro, os primeiros a criticá-lo seriam os que a conheceram", relatou o arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, sobre longa metragem "Irmã Dulce".
O lançamento do primeiro filme sobre a vida e missão da religiosa, Irmã Dulce, acontece no próximo dia 27 de novembro. No dia 13, o longa já entrou em cartaz nas regiões Norte e Nordeste do país. Confira trechos.
O filme retrata com fidelidade e verdade o testemunho cristão da freira beatificada em 10 de dezembro de 2010, pelo papa Bento XVI, em Salvador. A beata recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.

Produção
Com direção de Vicente Amorim, roteiro de Anna Muylaert e L.G. Bayão, além da produção assinada por Iafa Britz, o longa-metragem, filmado em Salvador, mostra momentos marcantes da trajetória da beata.
O longa destaca o cuidado e o relacionamento de "mãe e filho" entre a freira e João, um menino pobre que pede abrigo à irmã após a família ser retirada de casa. Na infância e na vida adulta dele, Irmã Dulce o salva duas vezes da morte: retirando-o do ônibus após acidente em frente ao convento e quando criminosos o ameaçam de morte por conta de uma dívida.
Foto: Dilvulgação

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa


1ª Aparição de N.Senhora a Santa Catarina Labouré

Uma noite de verão


Aos 18 de julho de 1830, véspera da festa de São Vicente que ela tanto ama, Catarina recorre àquele de quem, cujo coração ela viu transbordando de amor, para que seu grande desejo de ver a Santíssima Virgem seja enfim alcançado. Às onze horas e meia da noite, ela ouve chamá-la pelo seu nome.
Uma misteriosa criança está ali, ao pé da sua cama e a convida para levantar-se:

« A Santíssima Virgem a espera »

diz ela. Catarina se veste e, acompanha a criança que, deixa raios de luz por todos os lugares por onde passa.
Chegando à Capela, Catarina pára perto da cadeira do Padre, colocada no presbitério. Ela ouve então “como o frou-frou” de uma roupa de seda:

«Eis a Santíssima Virgem»

diz seu pequeno guia.
Ela não quer acreditar. A criança, porém, repete com uma voz mais forte:

« Eis a Santíssima Virgem. »

Catarina corre aos joelhos da Santíssima Virgem sentada na cadeira. Então não fiz senão dar um salto para junto dEla, e, de joelhos, sobre os degraus do altar, as mãos apoiadas nos joelhos da Santíssima Virgem:

« Aí, passei um momento, o mais suave de minha vida. Ser-me-ia impossível dizer o que experimentei. A Santíssima Virgem disse-me como eu devia conduzir-me com o meu confessor e várias coisas mais».


Catarina recebe o anúncio de sua missão e o pedido de fundação de uma Confraria dos Filhos de Maria. O que será realizado pelo Padre Aladel no dia 2 de fevereiro de 1840.

Fonte:http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/PT/c1_Uma_noite_de_verao.asp

2ª Aparição de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré

Um 27 de novembro


A Santíssima Virgem, no dia 27 de novembro de 1830, aparece de novo, na Capela, à Catarina Labouré. Dessa vez foi às 17h30, durante a oração das Irmãs e das noviças, sobre o quadro de São José (hoje, o local onde se encontra a Virgem do Globo). Antes, Catarina vê dois globos vivos, que passam, um após o outro, e nos quais a Santíssima Virgem se mantém em pé, sobre a metade do globo terrestre, seus pés esmagando a serpente.
No primeiro quadro, a Virgem Maria traz nas mãos um pequeno globo, dourado, com uma cruz superposta, que Ela eleva aos céus. Catarina ouve:

«Este lobo representa o mundo inteiro,
particularmente a França e todas as pessoas»

No segundo, saem de suas mãos abertas raios de um brilho resplandecente. Catarina ouve ao mesmo tempo uma voz que lhe diz:

«Estes raios são o símbolo das graças que Maria alcança para os homens».

Depois, em forma oval, forma-se a aparição e Catarina vê inscrita, em letras de ouro, esta invocação: «O' Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós! ».
Então uma voz se faz ouvir:

« Fazei cunhar uma medalha sob este modelo.
As pessoas que a usarem, com confiança, receberão muitas graças ».

Finalmente, ao redor, Catarina vê o reverso da Medalha: no alto, uma cruz, com a inicial do nome de Maria superposta, e, em baixo, dois corações, um coroado de espinhos, e outro, transpassado por uma lança.


Fonte:http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/PT/c2_Um_27_de_novembro.asp

3ª Aparição de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré

Um adeus

No mês de novembro de 1830, durante a oração, Catarina ouve de novo um “frou-frou”, desta vez atrás do altar. O mesmo quadro da medalha se apresenta perto do tabernáculo, um pouco atrás.


«Estes raios são o símbolo das graças que a Santíssima Virgem alcança para as pessoas que lhe pedem… Você não me verá mais ».

Eis o fim das aparições. Catarina comunica ao seu confessor, Padre Aladel, o pedido da Santíssima Virgem. Ele a acolhe formalmente, proibindo-a de pensar sobre o assunto. O choque é muito forte.
A 30 de janeiro de 1831, ela termina o seminário. Catarina recebe o hábito. No dia seguinte, ela parte para o Asilo de Enghien, fundado pela família de Orléans, à rua de Picpus, 12, em Reuilly, a leste de Paris, num bairro miserável, onde, incógnita, servirá os pobres durante 46 anos.

                        L’hospice d’Enghien fondé par la famille d’Orléans 1, à Reuilly
Fonte: http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/PT/c3_Um_adeus.asp

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Catequese do Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia
Nas catequeses precedentes, tivemos a oportunidade de evidenciar como a Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de Cristo, edificado no Espírito Santo. Quando nos referimos à Igreja, porém, imediatamente o pensamento vai para as nossas comunidades, às nossas paróquias, às nossas dioceses, às estruturas nas quais nos reunimos e, obviamente, também à componente e às figuras mais institucionais que a regem, que a governam. Esta é a realidade visível da Igreja. Devemos nos perguntar, então: trata-se de duas coisas diversas ou da única Igreja? E, se é sempre a única Igreja, como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual?
1. Antes de tudo, quando falamos da realidade visível da Igreja, não devemos pensar somente no Papa, nos bispos, nos padres, nas irmãs e em todas as pessoas consagradas. A realidade visível da Igreja é constituída por tantos irmãos e irmãs batizados que no mundo acreditam, esperam e amam. Mas tantas vezes ouvimos dizer: “Mas, a Igreja não faz isto, a Igreja não faz aquilo…”. “Mas, diga-me, quem é a Igreja?”. “São os padres, os bispos, o Papa…”. A Igreja somos todos, nós! Todos os batizados somos a Igreja, a Igreja de Jesus. De todos aqueles que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, fazem-se próximos aos últimos e aos sofredores, procurando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de paz. Todos aqueles que fazem aquilo que o Senhor nos ordenou são a Igreja. Compreendemos, então, que também a realidade visível da Igreja não é mensurável, não é conhecível em toda a sua plenitude: como se faz para conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras de amor, tanta fidelidade nas famílias, tanto trabalho para educar os filhos, para transmitir a fé, tanto sofrimento nos doentes que oferecem os seus sofrimentos ao Senhor… Mas isto não se pode mensurar e é tão grande! Como se faz para conhecer todas as maravilhas que, através de nós, Cristo é capaz de operar no coração e na vida de cada pessoa? Vejam: também a realidade visível da Igreja vai além do nosso controle, vai além das nossas forças e é uma realidade misteriosa, porque vem de Deus.
2. Para compreender a relação na Igreja, a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual, não há outro caminho que não olhar para Cristo, do qual a Igreja constitui o corpo e do qual foi gerada, em um ato de infinito amor. Também em Cristo, de fato, em força do mistério da Encarnação, reconhecemos uma natureza humana e uma natureza divina, unidas na mesma pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isso vale de modo análogo também para a Igreja. E como em Cristo a natureza humana ajuda plenamente aquela divina e se coloca ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, assim acontece, na Igreja, pela sua realidade visível, nos confrontos da realidade espiritual. Também a Igreja, então, é um mistério, no qual aquilo que não se vê é mais importante que aquilo que se vê e pode ser reconhecido somente com os olhos da fé (cfr Cost. dogm. sulla Chiesa Lumen gentium, 8).
3. No caso da Igreja, porém, devemos nos perguntar: como a realidade visível pode colocar-se a serviço daquela espiritual? Mais uma vez, podemos compreender isso olhando para Cristo. Cristo é o modelo da Igreja, porque a Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos, de todo nós. Quando se olha Cristo não se erra. No Evangelho de Lucas, conta-se como Jesus, tendo voltado a Nazaré, onde havia crescido, entrou na sinagoga e leu, referindo-se a si mesmo, o trecho do profeta Isaías onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim; por isto me consagrou com a unção e me mandou para enviar aos pobres o bom anúncio, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista; para por em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano de graça do Senhor” (4, 18-19). Bem: como Cristo serviu-se da sua humanidade – porque era também homem – para anunciar e realizar o desígnio divino de redenção e de salvação – porque era Deus – assim deve ser também para a Igreja. Através da sua realidade visível, de tudo aquilo que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos nós cristãos, a Igreja é chamada a cada dia a fazer-se próxima a cada homem, a começar por quem é pobre, por quem sofre e por quem está marginalizado, de modo a continuar a fazer sentir sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, como Igreja, fazemos experiência da nossa fragilidade e dos nossos limites. Todos os temos. Todos somos pecadores. Ninguém de nós pode dizer: “Eu não sou pecador”. Mas se algum de nós sente que não é pecador, levante a mão. Todos o somos. E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados, é justo que procurem em nós um profundo desprazer, sobretudo quando damos mal exemplo e nos damos conta de nos tornar motivo de escândalo. Quantas vezes ouvimos, nos bairros: “Mas, aquela pessoa lá vai sempre à Igreja, mas fala mal de todos…”. Isto não é cristão, é um mal exemplo: é um pecado. O nosso testemunho é aquele de fazer entender o que significa ser cristão. Peçamos para não sermos motivo de escândalo. Peçamos o dom da fé, para que possamos compreender como, não obstante a nossa pequenez e a nossa pobreza, o Senhor nos tornou realmente instrumento de graça e sinal visível do seu amor por toda a humanidade. Podemos nos tornar motivo de escândalo, sim. Mas podemos também nos tornar motivo de testemunho, dizendo com a nossa vida aquilo que Jesus quer de nós.
(Fonte: Canção Nova)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vaticano divulga mensagem final do Sínodo sobre as Famílias

Os Padres Sinodais aprovaram, no decorrer da 14ª Congregação Geral na manhã deste sábado, a mensagem final da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos bispos sobre o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.
O documento conclusivo do Sínodo - Relatio Synodi - será divulgado posteriormente enquanto o documento final será provavelmente publicado na forma de uma Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, em 2015, após o Sínodo Ordinário. Abaixo, a íntegra da mensagem:

Nós, Padres Sinodais reunidos em Roma junto ao Santo Padre na Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, nos dirigimos a todas as famílias dos diversos continentes e, em particular, àquelas que seguem Cristo Caminho, Verdade e Vida. Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho cotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor.

Também nós, pastores da Igreja, nascemos e crescemos em uma família com as mais diversas histórias e acontecimentos. Como sacerdotes e bispos, encontramos e vivemos ao lado de famílias que nos narraram em palavras e nos mostraram em atos uma longa série de esplendores mas também de cansaços.

A própria preparação desta Assembleia Sinodal, a partir das respostas ao questionário enviado às Igrejas do mundo inteiro, nos permitiu escutar a voz de tantas experiências familiares. O nosso diálogo nos dias do Sínodo nos enriqueceu reciprocamente, ajudando-nos a olhar toda a realidade viva e complexa em que as famílias vivem. A vocês, apresentamos as palavras de Cristo: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos povoados, Jesus continua a passar também hoje pelos caminhos das nossas cidades. Nas vossas casas se experimentam luzes e sombras, desafios exaltantes mas, às vezes, também provações dramáticas. A escuridão se faz ainda mais densa até se tornar trevas, quando se insinuam no coração da família o mal e o pecado.

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência. Pensemos ao sofrimento que pode aparecer em um filho portador de deficiência, em uma doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que é doada a eles e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.

Pensemos às dificuldades econômicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas. Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões. Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade. “A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54). Fazemos apelo aos governos e às organizações internacionais para promoverem os direitos da família para o bem comum.

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém. Somos, por isso, agradecidos aos pastores, fiéis e comunidades prontos a acompanhar e a assumir as dilacerações interiores e sociais dos casais e das famílias.

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas. Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Gênesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, em uma “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca. O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo. É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

Para que este encontro seja autêntico, o itinerário inicia com o noivado, tempo de espera e de preparação. Realiza-se em plenitude no Sacramento onde Deus coloca o seu selo, a sua presença e a sua graça. Este caminho conhece também a sexualidade, a ternura, e a beleza, que perduram também além do vigor e do frescor juvenil. O amor tende pela sua natureza ser para sempre, até dar a vida pela pessoa que se ama (cf. João 15,13). Nesta luz, o amor conjugal único e indissolúvel persiste, apesar das tantas dificuldades do limite humano; é um dos milagres mais belos, embora seja também o mais comum.

Este amor se difunde por meio da fecundidade e do ‘gerativismo’, que não é somente procriação, mas também dom da vida divina no Batismo, educação e catequese dos filhos. É também capacidade de oferecer vida, afeto, valores, uma experiência possível também a quem não pode gerar. As famílias que vivem esta aventura luminosa tornam-se um testemunho para todos, em particular para os jovens.

Durante este caminho, que às vezes é um percurso instável, com cansaços e caídas, se tem sempre a presença e o acompanhamento de Deus. A família de Deus experimenta isto no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Depois vive isto ao escutar juntos a Palavra de Deus e na oração comum, um pequeno oásis do espírito a ser criado em qualquer momento a cada dia. Existem, portanto, o empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho, à santidade. Esta tarefa é, frequentemente, partilhada e exercida com grande afeto e dedicação também pelos avôs e avós. Assim, a família se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à família das famílias que é a comunidade eclesial. Os cônjuges cristãos são, após, chamados a tornarem-se mestres na fé e no amor também para os jovens casais.

O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando “Cristo será tudo em todos” (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.

Nós, Padres Sinodais, vos pedimos para caminhar conosco em direção ao próximo Sínodo. Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa. Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:

Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios,
que sejam vertente de uma família livre e unida.

Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família.

Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

O Cardeal Raymundo Damasceno de Assis, um dos relatores-presidente do Sínodo, comentou a redação da mensagem final durante uma coletiva de imprensa no final da manhã deste sábado, na Sala de Imprensa da Santa Sé.
Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Juventude Mariana Vicentina

ASSEMBLEIA PROVINCIAL DA ASSOCIAÇÃO JUVENTUDE MARIANA VICENTINA DA AMAZÔNIA

Realizou-se nos dias 18 a 20 de outubro na cidade de Igarapé-Miri, a III Assembleia  Eletiva da Associação Juventude Mariana Vicentina d Amazônia, cujo tema foi: "Caminha conosco para crescer na fé e na alegria". 
 Estavam presentes jovens dos grupos de Igarapé-Miri, Cametá, Tucuruí e Belém, irmas assessoraras, Ir. Regina (assessora nacional), alguns pais e da PFCM estavam os padres Nonato (diretor provincial) e Marcelo (assessor da JMV de Tucurui)





domingo, 28 de setembro de 2014

Palavra do visitador por ocasião da festa de São Vicente

Estimados coirmãos e seminaristas
Neste dia em que celebramos nosso grande santo fundador São Vicente de Paulo, quem nos deixou o carisma que guia nossas vidas, quero saudar a todos fraternalmente, desejando que a força do seu testemunho e do seu ensinamento sigam sustentando-nos em nossa missão.
Celebrar São Vicente de Paulo não pode ser apenas ocasião para nos alegrarmos e nos felicitarmos mutuamente. Celebrar São Vicente deve necessariamente suscitar uma reflexão, que nos ajude a progredir na compreensão do carisma e em um estilo de vida que este comporta.
Somos chamados, ao estilo de São Vicente, a servir aos pobres com amor misericordioso. Esse chamado exige de nós uma resposta urgente, já que os pobres não podem ficar sempre nos esperando, dizia São Vicente: “é preciso correr para servir aos pobres como se corre para apagar o fogo de um incêndio...”.
Faz-se sempre necessário que nos deixemos interpelar pela mensagem e o testemunho de São Vicente para que superemos todo tipo de conformismo e acomodação que pode nos paralisar e neutralizar a força do nosso carisma.
Não podemos nos contentar com uma vida tranqüila pensando que já fazemos muito pelos pobres. Sempre cabe uma pergunta se o que fazemos é suficiente ou se podemos fazer ainda um pouco mais.
Seja este dia, para cada um, mais uma oportunidade para renovar o fervor da nossa vocação vicentina, que nos desafia a seguir os passos de Jesus à maneira de São Vicente de Paulo!
Peço que na missa deste dia, sábado, na igreja matriz ou comunidade em que celebrarem não se esqueçam de falar do nosso santo fundador, não apenas fazendo alguma referência a ele, mas dando-lhe o destaque que merece.
Rogamos a Deus pela intercessão de São Vicente, proteção e bênçãos para cada coirmão, seminarista e vocacionado de nossa Província.

Pe.Evaldo Carvalho dos Santos, CM

Provincial de Província de Fortaleza da Congregação da Missão

Reflexão de D. Helder sobre São Vicente de Paulo

Dom Helder nos diz: "Os tempos passam e S. Vicente só faz crescer. É sempre mais modelo e inspiração.
Deus lhe deu antenas para captar todos os grandes sofrimentos do seu século. Que sofrimento existiu em seu tempo, sem que ele percebesse? E o Senhor lhe deu a graça de descobrir para cada sofrimento a providência adequada. 
Sabendo que sua estada na terra era passageira, criou os Padres Lazaristas, as Filhas da Caridade e outras Instituiçōes de caridade, encarregadas de espalhar pela terra inteira e de estender através dos séculos, sua luta de amor em favor dos pobres, dos oprimidos, dos quantos sofrem no corpo e na alma.
Quanta e quantas vezes me pergunto: "Que faria o querido São Vicente de Paulo, se voltasse à terra em nossos dias? 
Claro que Ele teria descoberto que a pobreza hoje nāo atinge apenas os indivíduos e as famílias. Ele constataria o escândalo de paises númerosos, de continentes inteiros, mais de que em estado de pobreza, sim, em estado de miséria. 
Com seu olhar aguçado, São Vicente descobriria que, se há países sempre mais ricos e países muito mais númerosos sempre mais pobres, na raiz desta distância que só faz crescer, há injustiças incríveis. E ele denunciaria as injustiças, fosse quais fossem as consequências.
Ao assistir o filme Monsieur Vincent guardo na mente e no coração cenas inesquecíveis. A primeira cena, apresentando o Santo sem poder dormir, acompanhando gritos angustiados da noite dos que sofrem. Uma segunda cena, o deixa ver a repulsa das grandes senhoras que ajudavam o santo, quando Ele ousou querer confiar a uma delas uma criancinha abandonada que encontrou em sua porta e que a trazia envolvida em seu manto. A criança deveria ser "filha do pecado" e as supersantas senhoras nāo queriam se manchar. Uma após a outra, todas se recusam a segurar a filha do amor proibido. 
Mas a cena mais bela é o diálogo entre o santo já idoso, de saúde abalada, já chegando ao fim, e Joana, a jovem noviça, a quem São Vicente já nāo poderia mais acompanhar. O santo fala à futura Irmā de Caridade Suas palavras são testamentos para todos nós. Foi falando à Joana a palavra carregada de sabedoria e que eu gosto de repetir: "é preciso conquistar pelo amor o direito de dar." É difícil dar. Nāo exagero dizendo que é dificílimo dar sem humilhar, sem aparência de superioridade, de força, de prestígio, dar sem que nossa mão esquerda saiba o que fez a direita.
E conclui sua reflexão com essa súplica que deve ser a nossa também: “Que o Espírito Santo derrame suas luzes sobre todos nós que lidamos com a pobreza, para que sejamos ao menos uma sombra da sombra do grande e querido Sāo Vicente de Paulo. (D. Helder Cámara, 27 de setembro de 1975)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Catequese do Papa Francisco

A convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diversas é possível e praticável.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje gostaria de falar da viagem apostólica que realizei à Albânia domingo passado. Faço isso antes de tudo como ato de agradecimento a Deus, que me concedeu realizar esta visita para demonstrar, também fisicamente e de modo tangível, a proximidade minha e de toda a Igreja a este povo. Desejo, depois, renovar o meu reconhecimento fraterno ao episcopado albanês, aos sacerdotes e aos religiosos e religiosas que trabalham com tanto empenho. O meu grato pensamento vai também às autoridades que me acolheram com tanta cortesia, bem como a quantos cooperaram para a realização da visita.

Esta visita nasceu do desejo de ir a um país que, depois de ter sido oprimido por longo tempo por um regime ateu e desumano, está vivendo uma experiência de pacífica convivência entre as suas diversas componentes religiosas. Parecia-me importante encorajá-lo neste caminho, para que o prossiga com tenacidade e aprofundem todos os aspectos em vantagem do bem comum. Por isto, no centro da viagem, esteve um encontro inter-religioso onde pude constatar, com viva satisfação, que a pacífica e frutífera convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diversas não só é desejável, mas concretamente possível e praticável. Eles a praticam! Trata-se de um diálogo autêntico e frutuoso que evita o relativismo e leva em conta as identidades de cada um. Aquilo que as várias expressões religiosas têm em comum, de fato, é o caminho da vida, a boa vontade de fazer o bem ao próximo, não renegando ou diminuindo as respectivas identidades.

O encontro com os sacerdotes, as pessoas consagradas, os seminaristas e os movimentos leigos foi a ocasião para fazer grata memória, com momentos de particular comoção, dos numerosos mártires da fé. Graças à presença de alguns idosos, que viveram em sua carne as terríveis perseguições, ecoou a fé de tantos testemunhos heroicos do passado, os quais seguiram Cristo até extremas consequências. Foi justamente da união íntima com Jesus, do relacionamento de amor com Ele que surgiu para estes mártires – como para cada mártir – a força para enfrentar os acontecimentos dolorosos que os conduziram ao martírio. Também hoje, como ontem, a força da Igreja não é dada tanto pela capacidade de organização ou das estruturas, que são necessárias, mas a Igreja não encontra sua força ali. A nossa força é o amor de Cristo! Uma força que nos apoia nos momentos de dificuldade e que inspira a atual ação apostólica para oferecer a todos bondade e perdão, testemunhando assim a misericórdia de Deus.

Percorrendo a avenida principal de Tirana, que do aeroporto leva à grande praça central, pude ver os retratos dos quarenta sacerdotes assassinados durante a ditadura comunista e para os quais foi iniciada a causa de beatificação. Estes se somam às centenas de religiosos cristãos e muçulmanos assassinados, torturados, presos e deportados só porque acreditavam em Deus. Foram anos sombrios, durante os quais foi pisoteada a liberdade religiosa e era proibido acreditar em Deus, milhares de igrejas e mesquitas foram destruídas, transformadas em lojas e cinemas que propagavam a ideologia marxista, os livros religiosos foram queimados e os pais eram proibidos de colocarem nos filhos nomes religiosos dos antepassados. A recordação destes acontecimentos dramáticos é essencial para o futuro de um povo. A memória dos mártires que resistiram na fé é garantia para o destino da Albânia; porque o seu sangue não foi derramado em vão, mas é uma semente que levará a frutos de paz e de colaboração fraterna. Hoje, de fato, a Albânia é um exemplo não somente de renascimento da Igreja, mas também de pacífica convivência entre as religiões. Portanto, os mártires não são uns derrotados, mas vencedores: em seu testemunho heroico reflete a onipotência de Deus que sempre consola o seu povo, abrindo novos caminhos e horizontes de esperança.

Esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e na memória do passado, confiei a toda a população albanesa que vi entusiasmada e alegre nos lugares dos encontros e das celebrações, bem como nas ruas de Tirana. Encorajei todos a tirar energias sempre novas do Senhor ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e se empenhar, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.

Agradeço mais uma vez ao Senhor porque, com esta viagem, deu-me a oportunidade de encontrar um povo corajoso e forte, que não se deixou dominar pela dor. Aos irmãos e irmãs da Albânia, renovo o convite à coragem do bem, para construir o presente e o amanhã do seu país e da Europa. Confio os frutos da minha visita à Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada no homônimo Santuário de Scutari, a fim de que ela continue a guiar o caminho deste povo-mártir. A dura experiência do passado o enraize sempre mais na abertura para os irmãos, especialmente os mais frágeis, e o torne protagonista daquele dinamismo da caridade tão necessário no atual contexto sócio-cultural. Eu gostaria que todos nós hoje fizéssemos uma saudação a este povo corajoso, trabalhador e que em paz procura a unidade.

domingo, 21 de setembro de 2014

Família Vicentina - Regionais: Fortaleza/CE e Belém/PA

Regional Fortaleza

Regional Belém

Padres, seminaristas e vocacionado

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Encontro da Família Vicentina - Regional Belém/PA

Belém (Pa), 10 de setembro de 2014
Prezados irmãos(as),
Aproxima-se o dia de celebrarmos a festa de nosso santo fundador São Vicente de Paulo. A cada ano o superior geral Padre Gregory convida-nos a prepararmos este dia, para isso é de costume que a família vicentina, presente no mundo inteiro, se encontra para um dia de oração e reflexão.
Este ano, em carta circular a toda família, o padre Gregory, primeiro, comunica que a comissão da família Vicentina internacional propõe consagrar o próximo ano a “Nova Evangelização”, em seguida nos convida , a refletir sobre três pontos importantes:
1. - A necessidade de uma conversão pessoal e comunitária;
2.- A necessidade de ir além de nós mesmos, escutando o grito dos pobres, sobretudo daqueles que vivem na periferia de nossas cidades e a margem da sociedade atual;
3. -A necessidade de evangelização e oferecer novas formas de executar a pastoral da família.
Para nós do regional Belém, este dia de oração e reflexão acontecerá dia 20 de setembro ás 15:00 hs na Casa do Idoso Santa Catarina Labouré, rua Alferes Costa, entre senador Lemos e Rua Nova, ao lado da Igreja São Sebastião, bairro Sacramenta.
Apos a reflexão e oração, haverá um momento de confraternização por ocasião da festa de São Vicente, para isso pedimos a colaboração dos ramos nos seguintes itens:
AIC – salgadinhos
CM e benfeitoras do seminário: refrigerantes
FC e JMV: sucos e paizinhos
SSVP: descartáveis
AMM e voluntarias da casa do Idoso: bolos
Gostaríamos que todos os ramos se fizessem presentes para que, juntos possamos rezar e, desta forma, preparar-nos bem para celebrarmos o dia de São Vicente, afim de renovar em nosso corações o compromisso com o Deus dos pobres e os pobres de Deus.

Pe. Raimundo Nonato Cândido, CM
Pela equipe de coordenação

Catequese do Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No nosso itinerário de catequeses sobre a Igreja, estamos nos concentrando em considerar que a Igreja é mãe. Na última vez, destacamos como a Igreja nos faz crescer e, com a luz e a força da Palavra de Deus, nos indica o caminho da salvação e nos defende do mal. Hoje gostaria de destacar um aspecto particular desta ação educativa da nossa mãe Igreja, isso é, como ela nos ensina as obras de misericórdia.
Um bom educador aponta para o essencial. Não se perde nos detalhes, mas quer transmitir aquilo que realmente conta para que o filho ou aluno encontre o sentido e a alegria de viver. É a verdade. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia. O essencial do Evangelho é a misericórdia. Deus enviou o seu Filho, Deus se fez homem para nos salvar, isso é, para nos dar a sua misericórdia. Jesus diz isso claramente, resumindo o seu ensinamento para os discípulos: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36). Pode existir um cristão que não seja misericordioso? Não. O cristão necessariamente deve ser misericordioso, porque isto é o centro do Evangelho. E fiel a este ensinamento, a Igreja só pode repetir a mesma coisa aos seus filhos: “Sede misericordiosos”, como o é o Pai, e como o foi Jesus. Misericórdia.
E então a Igreja se comporta como Jesus. Não faz lições teóricas sobre amor, sobre misericórdia. Não difunde no mundo uma filosofia, uma via de sabedoria… Certo, o Cristianismo é também tudo isso, mas por consequência, reflexo. A mãe Igreja, como Jesus, ensina com o exemplo, e as palavras servem para iluminar o significado dos seus gestos.
A mãe Igreja nos ensina a dar de comer e de beber a quem tem fome e sede, a vestir quem está nu. E como faz isso? Com o exemplo de tantos santos e santas que fizeram isto de modo exemplar; mas o faz também com o exemplo de tantos pais e mães, que ensinam aos seus filhos que aquilo que sobra para nós é para aqueles a quem falta o necessário. É importante saber isso. Nas famílias cristãs mais simples, sempre foi sagrada a regra da hospitalidade: não falta nunca um prato e uma cama para quem tem necessidade. Uma vez uma mãe me contava – na outra diocese – que queria ensinar isto aos seus filhos e dizia a eles para ajudar e dar de comer a quem tem fome; ela tinha três filhos. E um dia, no almoço – o pai estava fora a trabalho, estava ela com os três filhos, pequenos, 7, 5 e 4 anos, mais ou menos – e bateram à porta: era um senhor que pedia o que comer. E a mãe lhe disse: “Espere um minuto”. Entrou e disse aos filhos: “Há um senhor ali que pede o que comer, o que fazemos?”. “Demos a ele o que comer, mãe, demos a ele!”. Cada um tinha no prato um bife com batatas fritas. “Muito bem – disse a mãe – peguemos a metade de cada um de vocês e demos a ele a metade do bife de cada um”. “Ah não, mãe, assim não é bom!”. “É assim, você deve dar do seu”. E assim esta mãe ensinou aos filhos a dar de comer da própria comida. Este é um belo exemplo que me ajudou muito. “Mas não me sobra nada…”. “Dai do teu!”. Assim nos ensina a mãe Igreja. E vocês, tantas mães que estão aqui, sabem o que devem fazer para ensinar aos seus filhos para que partilhem as suas coisas com quem tem necessidade.
A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está doente. Quantos santos e santas serviram Jesus deste modo! E quantos simples homens e mulheres, a cada dia, colocam em prática esta obra de misericórdia em um quarto de hospital, ou de uma casa de repouso, ou na própria casa, ajudando uma pessoa doente.
A mãe Igreja ensina a estar próximo a quem está preso. “Mas, padre, não, isto é perigoso, é gente má”. Mas cada um de nós é capaz… Ouçam bem isto: cada um de nós é capaz de fazer a mesma coisa que aquele homem ou aquela mulher que está na prisão fez. Todos temos a capacidade de pecar e de fazer o mesmo, de errar na vida. Não é pior que eu ou você! A misericórdia supera todo muro, toda barreira e te leva a procurar sempre a face do homem, da pessoa. E é a misericórdia que muda o coração e a vida, que pode regenerar uma pessoa e permitir a ela inserir-se de modo novo na sociedade.
A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está abandonado e morre sozinho. É aquilo que fez a beata Teresa pelos caminhos de Calcutá; e aquilo que fizeram e fazem tantos cristãos que não têm medo de estender a mão para quem está prestes a deixar este mundo. E também aqui a misericórdia dá paz a quem parte e a quem fica, fazendo-nos sentir que Deus é maior que a morte e que permanecendo Nele mesmo a última separação é um “até logo”… Beata Teresa havia entendido bem isto! Diziam a ela: “Madre, isto é perder tempo!”. Encontrava gente morrendo pelo caminho, gente que começava a ter o corpo comido por ratos das ruas, e ela os levava para casa para que morressem limpos, tranquilos, acariciados, em paz. Ela dava a eles o “até logo”, a todos estes… E tantos homens e mulheres como ela fizeram isto. E eles os esperam, ali [aponta para o céu], na porta, para abrir a porta do Céu. Ajudar as pessoas a morrer bem, em paz.
Queridos irmãos e irmãs, assim a Igreja é mãe, ensinando aos seus filhos as obras de misericórdia. Ela aprendeu este caminho com Jesus, aprendeu que isto é o essencial para a salvação. Não basta amar quem nos ama. Jesus diz que isso o fazem os pagãos. Não basta fazer o bem a quem nos faz o bem. Para mudar o mundo para melhor é necessário fazer o bem a quem não é capaz de nos retribuir, como o Pai fez conosco, doando-nos Jesus. Quanto pagamos pela nossa redenção? Nada, tudo de graça! Fazer o bem sem esperar nada em troca. Assim fez o Pai conosco e nós devemos fazer o mesmo. Faça o bem e siga adiante!
Que belo é viver na Igreja, na nossa mãe Igreja que nos ensina estas coisas que Jesus nos ensinou. Agradeçamos ao Senhor, que nos dá a graça de ter como mãe a Igreja, ela que nos ensina o caminho da misericórdia, que é o caminho da vida. Agradeçamos ao Senhor.

(Fonte: Canção Nova)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Natividade de Nossa Senhora

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Oratio 1:PG 97,806-810) (Séc.VIII)

O que era antigo passou, eis que tudo se fez novo 

O fim da lei é Cristo (Rm 10,4), que ao mesmo tempo separa da lei e eleva para o espírito. Nele está a consumação, pois o próprio legislador – tendo cumprido e terminado tudo – transfere a letra para o espírito. Assim tudo recapitula em si mesmo, vivendo a graça depois da lei. A lei, porém, submetida; a graça, harmoniosamente adaptada e unida. Não misturadas e confundidas as características de uma com as da outra, mas mudado de modo divino o que era pesado, servil e escravo, em leve e liberto, para que não mais estejamos reduzidos à servidão dos elementos do mundo (Gl 4,3), como diz o Apóstolo, nem sujeitos ao jugo da escravidão da letra da lei.
É este o resumo dos benefícios de Cristo para nós; é esta a manifestação do mistério; é o aniquilamento da natureza; é Deus e homem; é a deificação do homem assumido. Todavia era absolutamente necessário ao esplendor e à evidência da vinda de Deus aos homens uma introdução jubilosa, antecipando para nós o grande dom da salvação. Este é o sentido da solenidade de hoje que tem início na natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne. Agora a Virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e rei de todos os séculos.
Neste momento, foi-nos dado duplo proveito: um, a elevação à verdade; outro, a rejeição da servidão e da vida sob a letra da lei. De que modo, com que fim? Pelo desaparecimento da sombra com a chegada da luz; em lugar da letra, a graça que dá a liberdade. Nossa solenidade está na fronteira entre a letra e a graça, unindo a realidade que chega aos símbolos que a figuravam, substituindo o antigo pelo novo.
Portanto cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia. É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Vida Sacerdotal


09/09/2000 -
Pe. Jair do Carmo

Aniversariantes de Setembro


07/09
Pe. Aluízio
24/09
Pe. Adauto
24/09
Pe. Anderson