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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma Reflexão sobre a Caridade

1. INTRODUÇÃO:
“A caridade, alma da missão”. Se não for orientada pela caridade, isto é, se não brotar de um profundo ato de amor divino, a missão corre o risco de se reduzir a única mera atividade filantrópica e social. O amor que Deus nutre cada pessoa constitui o coração da experiência e do anúncio do Evangelho. O amor de Deus, que dá vida ao mundo, é o amor que nos foi concedido em Jesus, Palavra de salvação, ícone perfeito da misericórdia do Pai celeste.
O mandamento de difundir o anúncio do amor de Deus foi confiado por Jesus aos Apóstolos depois da sua ressurreição, e os Apóstolos, interiormente transformados no dia de Pentecostes pelo poder do Espírito Santo, começaram a dar testemunho do Senhor, morto e ressuscitado. A partir de então, a Igreja continua essa mesma missão, que constitui para todos os fiéis um compromisso irrenunciável e permanente.
Por conseguinte, cada comunidade cristã é chamada a fazer conhecer Deus, que é Amor. Foi sobre esse mistério da nossa fé que o Santo Padre o papa Bento XVI desejou deter como ponto de reflexão na sua Encíclica “Deus Caritas est”, isto é, Deus é Amor. Com o seu Amor, Deus permeia toda a criação e a história humana.
O pecado ofuscou no casal Adão e Eva a marca divina. Enganados pelo maligno faltaram ao relacionamento de confiança com o seu Senhor, persuadidos de que desse modo confirmavam o seu livre arbítrio.
Consequentemente, terminaram por perder a felicidade original e experimentaram a amargura do pecado e da morte. Graças a Cristo, Bom Pastor que não abandona a ovelha perdida, aos homens de todos os tempos é conferida a possibilidade de entrar em comunhão com Deus, Pai misericordioso, pronto a acolher novamente em casa o filho pródigo. Um sinal surpreendente desse amor é a Cruz.
Um amor fraterno que Jesus pede aos seus discípulos na “Última Ceia” tem a sua fonte no amor paterno de Deus.
O Apóstolo João observa: “Quem ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus”(I JO. 4, 7). Portanto, para amar segundo Deus é necessário viver nele e dele.
O Papa João Paulo II na sua Encíclica sobre a Missão do Redentor assim escreveu: “da alma de toda a atividade missionária: o amor, que é e permanece o verdadeiro motor da missão, constituindo também “o único critério pelo qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, mudado ou mantido. É o princípio que deve dirigir cada ação, e o fim par ao qual deve tender. Agindo na perspectiva da caridade ou inspirado pela caridade, nada é impróprio e tudo é bom”.
Desse modo, ser missionário quer dizer amar a Deus com todo o próprio ser a ponto de entregar-se, se for necessário, a vida por Ele.
II - O QUE É A CARIDADE?
A palavra caridade vem de caritas, termo usado por São Jerônimo como significado para a palavra grega ágape. A língua grega tem diversas palavras com o significado de amor, porém com sentidos diferentes, como por exemplo:
• Eros – o centro sou eu, desejo de ser amado. É o amor humano.
• Ágape – o centro é o outro, desejo de amar. É o amor divino.
Portanto, a caridade é o amor de Deus, aquele amor tão perfeito e sublime que só pode vir de Deus.
São João define a caridade não apenas como mais uma característica de Deus, mas como sua essência.
São Paulo, apóstolo define a caridade como a fé em ação, o vínculo da perfeição, o caminho que supera a todos, a virtude que nunca passará.
2.1. CONCEPÇÕES DE SÃO VICENTE A RESPEITO DA CARIDADE:
• A caridade como uma resposta verdadeira e afetuosa à necessidade do ser humano conforme o exemplo do Samaritano do Evangelho. Para São Vicente de Paulo, oferecemos nossas mãos e nosso coração a esta ação de Deus, levando sem nos darmos conta, o perfume comunicativo de Jesus.
• O nosso Santo Fundador e Pai Espiritual, Vicente de Paulo entendia a caridade como sendo “um amor elevado acima dos sentidos e da razão pela qual nos amamos uns aos outros pelo mesmo fim pelo qual Jesus Cristo amou as pessoas humanas para fazê-los santos neste mundo e bem aventurados no outro”.
• A caridade nos faz ir até Deus e o que O amemos com todo o entendimento.
III – JESUS CRISTO, ROSTO DE CARIDADE E VERDADE
A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e, sobretudo, com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira.
O amor – caritas – é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e verdade absoluta.
Por isso, defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Amor e verdade são a vocação colocada por Deus no coração e na mente de cada pessoa.
O Papa Bento XVI nos coloca um desafio enorme:
 Será o ser humano capaz de caminhar na caridade e na verdade?
3.1. COMO DEVEMOS FAZER A CARIDADE:
• Evangelho de Mateus: 6, 1-4
• Carta aos Hebreus: 11, 6
• Evangelho de Lucas: 10, 25-37
• I Carta aos Coríntios: 13, 1-13
• Evangelho de Mateus: 25, 31-46
É evidente que a caridade isoladamente, se não for precedida de conversão não resultará na salvação, porque o único caminho que leva à salvação é a cruz de Cristo.
Caridade, portanto, constitui aquilo que de mais importante existe na vida espiritual. Homens e mulheres chamados, amor, ao interesse pelo “outro”, que é o Pobre. A caridade é o preceito fundamental da vida cristã. É o núcleo central da pregação cristã.

Fontes:
1. Caridade-Missão – Organizador PE. Mizaél, CM, 1.a Edição, S.Paulo, 2010;
2. A Caridade como força de transformação. Coleção Vicentina 26. Organizador Pe. Mizaél Donizetti Poggioli, 1.a edição, 2008;
3. Comentários das Encíclicas dos Papas João Paulo, II e Bento XVI –“Missão Do Redentor”, “Deus Caritas Est” e “Caridade na Verdade”.

Pe. Carlos César, CM

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