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CASA DE RETIRO E ENCONTROS

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domingo, 2 de dezembro de 2012

Circular do Superior Geral, Pe.Gregory, sobre o Advento 2012

Um caminho rumo ao Cristo e nosso carisma

«Este é o modo da evangelização…que a verdade se torne em mim caridade e a caridade acenda como o fogo, também o outro. Só neste acender o outro através da chama da nossa caridade, cresce realmente a evangelização, a presença do Evangelho, que já não é só palavra, mas realidade vivida.» - Papa Bento XVI, Meditação para a abertura do Sínodo sobre a nova evangelização, 8 de outubro de 2012.

A todos os membros da Família vicentina
Queridos Irmãos e Irmãs,
Que a graça e a paz de Jesus preencham os vossos corações agora e para sempre!

Recentemente participei como delegado no Sínodo sobre a nova evangelização, que coincidiu com o início do « ano da fé » para comemorar o quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II. Como nosso Santo Padre citou acima, « a presença do Evangelho » é um dom e um desafio para todos aqueles que seguem o Cristo à maneira de São Vicente de Paulo. É um dom que nos é dado por Jesus, o Verbo feito carne. Nosso desafio consiste em fazer uma «realidade vivida» servindo nossos senhores e nossos mestres, os pobres de Deus. O tempo do Advento nos oferece a oportunidade de meditar sobre a beleza, o mistério e a incrível responsabilidade de nossa vocação de discípulos cristãos que seguem o carisma vicentino. Nosso caminho do Advento compreende quatro movimentos distintos que refletem este tempo litúrgico, assim como as etapas de nossa vida de discípulos no seguimento do Cristo.

Tempo de angústia e de incerteza
O mundo atual está repleto de angústias e de incertezas de toda sorte: econômicas, geopolíticas, étnicas, sociais e pessoais. As guerras, os conflitos armados e as catástrofes naturais produzem, por sua vez, a pobreza, a fome, o problema dos sem-teto e das misérias humanas sobre as quais é impossível estender uma lista exaustiva. Por mais alarmante e desconcertante que seja nosso mundo atual, os textos da Escritura do primeiro Domingo do Advento nos lembram de que antigamente já existiram situações semelhantes: « Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra, as nações estarão em angústia, … os homens desfalecerão de medo, na expectativa do que ameaçará o mundo habitado » (Lc 21, 25-26).
Nossos santos fundadores, São Vicente e Santa Luisa, foram confrontados, durante a vida, a desafios catastróficos: guerra, fome, doenças, desprezo dos pobres, ignorância e indiferença no que diz respeito à prática da fé católica entre o clero e entre os leigos. Qual foi a resposta que eles deram às suas provações e a estas tribulações?
Creio que podemos encontrá-la no mesmo evangelho de Lucas deste primeiro Domingo do Advento: « Quando começar a acontecer essas coisas, erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação…”. Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados pela devassidão. […] Ficai acordados, portanto, orando em todo momento » (Lc 21, 28.34-36).
Aprendendo a melhor conhecer Jesus pela meditação de sua Palavra e recebendo-o na Eucaristia, Vicente e Luisa fizeram do Cristo o centro de seu coração e de sua vida. Jesus acalmou suas inquietudes, impelindo-os a empreender uma maneira dinâmica e profética de viver o Evangelho.
A caminhada espiritual deles continua quando colocamos em prática o carisma da caridade que eles nos deram há mais de 350 anos. Que este Advento seja um tempo de procurarmos a pessoa de Jesus Cristo na Palavra e nos sacramentos, tendo fé em Deus que « exercerá na terra o direito e a justiça » (Jr 23, 5). Com o Emanuel, Deus conosco, como principal fundamento, iremos « crescer e ser ricos em amor mútuo e para com todos… queira ele confirmar vossos corações numa santidade irrepreensível, aos olhos de Deus » (1 Tes. 3, 12-13).

Tempo de tomada de consciência e de espera
Em meio às ambiguidades da vida, o Advento oferece uma tomada de consciência e uma crescente espera da vinda de nosso Deus entre nós. O Advento é um tempo de começos e de finalizações: um novo ano litúrgico, e o fim do ano civil. Mas, como cristãos, tomemos consciência que apesar deste chronos, este período de finalizações e de começos, o Advento nos apresenta um verdadeiro momento de kairos: pela Encarnação, Deus está sempre conosco. O profeta Baruch nos lembra de que devemos ser pessoas que « se alegram por Deus ter-se lembrado deles » (Bar 5, 5). Independente do que tenha sido este ano para nós, por Jesus, Deus nos chama a um amor mais abundante.
A voz profética de João Batista reanima a consciência e a espera da vinda de Deus em Israel. João proclamava um « batismo de arrependimento para a remissão dos pecados… voz do que clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’, tornai retas suas veredas » (Lc 3, 2-3). João, o profeta do Reino de Deus, falava da vinda do Messias levando uma vida disciplinada pela ascese e totalmente centrada em Jesus. Pela beleza da Escritura, diversas leituras e hinos nos despertam à misericórdia de Deus e o Advento nos ajuda a dirigir nosso olhar ao Filho único engendrado pelo Pai.
O resultado da ascese do Advento é um olhar constantemente dirigido a Jesus, « Deus conosco », como era na vida de Vicente e de Luisa. Jesus era « tudo » para eles. Vicente impulsionava seus discípulos « a se tornarem interiores, a fazer com que Jesus Cristo reine em nós… Busquemos a glória de Deus, busquemos o reino de Jesus Cristo » (Coste XII, pp. 131-32). Vicente e Luisa fizeram acontecer o Reino de Deus na terra servindo o Cristo nos pobres. O Advento nos prepara para fazer o mesmo.

Apelo à conversão ao Cristo e a nosso carisma 
Como o Advento nos faz passar da angústia à espera, há uma abertura em nossas vidas e em nossos corações para que Jesus possa aí entrar. Agindo assim, encontramos novamente o mistério da conversão, à medida que o Cristo nos revela gradativamente novas maneiras de viver as verdades evangélicas. As palavras estimulantes de São Paulo assumem então um novo significado para nós: « Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos. Seja reconhecida de todos os homens a vossa mansidão. O Senhor está próximo » (Fl 4, 4-5). Esta proximidade nos faz saborear antecipadamente o que significa a conversão ao Cristo. Ele nos chama a uma decisão: sobre quem e sobre o quê centro meu coração?
O Evangelho do Domingo de «Gaudete» descreve o primeiro fervor daqueles cujos corações foram tocados por João Batista ao ponto de se converterem. Lucas nos diz que, embora as multidões fossem variadas incluindo tanto pessoas comuns quanto cobradores de impostos e soldados, todos tinham a mesma pergunta: « Que devemos fazer? » (Lc 3, 10). E a resposta de João foi simples e direta: partilhem tudo o que possuem com os necessitados; não recebam mais impostos do que a quantia requisitada; não explorem e nem acusem ninguém erroneamente; fiquem satisfeitos com seu salário (cf. Lucas 3, 11-15). O apelo de João à conversão não se reduz a um salto no rio Jordão e a um breve sentimento de alívio. Ele conduzia a Jesus e a uma relação nova e dinâmica com Deus e com o próximo.
Nossos santos fundadores tiveram seus « momentos de conversão »: a experiência do Domingo de Pentecostes de Luisa, os encontros de Châtillon e em Folleville de Vicente. Ambos descobriram que seguir Cristo não devia se encontrar em exercícios espirituais esotéricos, nem em doutrinas religiosas abstratas, mas no serviço dos outros como se eles fossem o próprio Senhor Jesus, Ele mesmo. Luisa escrevia: « Minha oração foi mais de contemplação que de raciocínio, com grande atrativo pela Humanidade santa de Nosso Senhor e o desejo de honrá-Lo e imitá-Lo o mais que pudesse na pessoa dos pobres e de todo o meu próximo » (Sta. Luisa, Escritos Espirituais, A. 26, p. 937).
O carisma vicentino que nos inspira e nos orienta, hoje, vem da conversão de nossos fundadores ao Cristo e de seu desejo de construir suas vidas sobre essa fé a cada dia. O Advento nos permite reavivar a nossa relação com o carisma vivendo como « embaixadores de Cristo » (2 Cor 5, 20). Vicente lembrava a seus primeiros discípulos: « Ora, para bem começar e para bem concluir, lembrai-vos de agir no espírito de Nosso Senhor, de unir vossas ações às Suas e de lhes dar uma finalidade toda nobre e toda divina, dedicando-as à sua maior glória » (São Vicente, Coste V, pp. 456-457).

Tempo para uma ação redentora
Desde que deixemos o Advento nos renovar no amor e na misericórdia de Jesus, podemos nos dar mais plenamente ao carisma vicentino. Em uma carta anterior dirigida à Família Vicentina, sugeri esse tema para melhorar a colaboração: « Trabalhemos juntos para partilhar a Boa Nova e comunicar a vida aos pobres » (Junho/2012). Como nosso carisma, a espiritualidade vicentina é concreta e realizável. Esta foi a genialidade de Vicente e de Luisa: eles viram o Cristo nos pobres e os pobres em Cristo. Devemos trabalhar juntos para difundir o carisma da caridade em nosso contexto atual.
No entanto, a espiritualidade vicentina e o Advento nos lembram que, o que procuramos para nós mesmos e para aqueles a quem servimos, não é apenas um alívio temporário, mas uma ação redentora. Os textos da Escritura relativos ao Advento destacam pessoas comuns na história da salvação chamadas por Deus a desempenhar um papel extraordinário: João Batista, Maria, Isabel e José. Pela sua abertura à vontade de Deus, a Virgem Maria aceitou seu papel na ação redentora de Deus como mãe do Senhor, traçando-nos assim um caminho seguro em direção à fé e a fidelidade. Não é de admirar que Isabel tenha dito a Maria durante a sua visita: « Bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre!… Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! » (Lc 1, 42-45). O testemunho de Maria, como todas as histórias do Advento, pode nos ajudar a aprofundar a graça de Deus em nós quando fazemos nossos estes relatos da salvação.
A Família vicentina é composta por membros tendo uma fé tenaz que compartilham a missão de evangelizar os pobres. Todos são chamados a ser missionários que vivem a Boa Nova. No verão passado, visitei as Filipinas para celebrar o aniversário de 150 anos da presença da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade nesse país. A imagem que adorna a primeira página desta carta é tirada de uma peça de teatro: « São Vicente: A Opereta », colocado em cena à Universidade Adamson para este maravilhoso evento. Enquanto eu apreciava essa representação esplêndida de nossa história e da missão nas Filipinas, fui tomado por sentimentos de gratidão pelos numerosos sacrifícios feitos pelos primeiros missionários, Lazaristas e Filhas da Caridade, originários da Espanha que vieram a esse país. Também ficou claro para mim que essa antiga « terra de missão » tinha crescido para se tornar uma comunidade de fé dinâmica com suas próprias missões hoje.
O Advento nos recorda que a obra de Deus continua cada ano de maneira nova em cada um de nós, qualquer que seja nossa idade e nosso estado de vida. A nova evangelização começa em cada um de nós! Demos-nos, pois, plenamente nesse tempo de graça com espírito e coração abertos e disponíveis, nos libertando das preocupações e angústias da vida para entrar numa comunhão mais profunda com Cristo e num compromisso renovado no carisma vicentino da caridade. No espírito de Jesus e de nossos santos fundadores, peço-lhes novamente: « Trabalhemos juntos para partilhar a Boa Nova e comunicar a vida aos pobres ». Rezo para que o Senhor Jesus lhes abençoe em abundância durante o tempo do Advento e do Natal!

Vosso irmão em São Vicente,
G. Gregory Gay, C.M.
Superior geral

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