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CASA DE RETIRO E ENCONTROS

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Festa de Santa Luisa de Marillac.15 de março


Luísa de Marillac, filha de Luís de Marillac, nasceu a 12 de agosto de 1591 e teve uma infância e uma adolescência marcadas por grande sofrimento. Seu pai estava viúvo desde 1588, quando falecera Maria Rosária, e ainda não tinha se casado com Antonieta Le Camus, também viúva e mãe de três filhos. Infelizmente, não se sabe o nome da mãe de Luísa, pois sua certidão de batismo desapareceu.
Luísa viveu sua infância em um convento de Irmãs Dominicanas, em Poissy. Este convento possuía uma espécie de pensionato, que oferecia uma boa formação religiosa. Luísa era inteligente e adquiriu uma cultura invejável: humanística, cristã e filosófica. Além disso, estudou latim, bíblia, pintura, música, literatura, etc.
Luís de Marillac morreu quando Luísa tinha apenas 12 anos. A morte do pai causou-lhe grande consternação, deixando-a com um sentimento de total abandono. Seu tio Miguel, que chegou a ser ministro da justiça, passou a ser seu tutor, permanecendo, porém, muito distante.
Logo depois, Luísa deixou, com pesar, o convento de Poissy, a famosa escola de então, e foi morar em Paris, num pensionato modesto, onde começou a aprender os trabalhos domésticos, como cozinhar, costurar, fazer limpeza. Lá, pela primeira vez, Luísa pôde realizar, depois das refinadas experiências em Poissy, uma experiência concreta de pobreza.
Ao conhecer as Irmãs Capuchinhas, que foram solenemente instaladas num convento em Paris, Luísa sentiu-se atraída por aquela vida de oração, trabalho manual e grande austeridade. Ia freqüentemente rezar na capela das religiosas e fez, entusiasmada, o voto de consagrar-se a Deus nesta vida de clausura rigorosa. Dirigindo-se ao seu tio Miguel para pedir-lhe autorização, a fim de entrar no Convento das Capuchinhas, teve como resposta uma recusa clara e firme: por ser de constituição fraca, ela não poderia suportar a austeridade da vida no claustro.
Como não lhe foi possível entrar para a vida religiosa, seu tio logo a encaminhou para o matrimônio. Como era costume no século XVII, com Luísa não foi diferente: Miguel de Marillac lhe arranjara um casamento de conveniência. O escolhido foi um jovem secretário da Rainha Maria de Médicis, Antônio Le Gras. Casando-se a 04 de fevereiro de 1613, Luísa encontrou finalmente o calor e a felicidade de uma família. E, com o nascimento de seu filho Miguel Antônio, a 18 de outubro de 1613, essa alegria se completou.
Sete anos após o casamento, Antônio Le Gras caiu doente. Esta situação provocou grande agonia na consciência de Luísa, pois passou a culpar-se pela doença do esposo, pensando ter sido causada por sua infidelidade à promessa feita a Deus de se consagrar como religiosa. Então, pensando que, para aplacar a justiça divina e finalmente recobrar a paz, deveria multiplicar as orações, fez o voto de viuvez, caso Deus chamasse a si o seu esposo.
No dia de Pentecostes de 1623, Luísa foi rezar na Igreja de São Nicolau des Champs e, sentindo-se profundamente iluminada, viu suas dúvidas e angústias se dissiparem. Ela mesma escreveu: "No dia de Pentecostes, ouvindo a Santa Missa ou fazendo oração na igreja, num instante, meu espírito foi iluminado em relação a estas dúvidas. Fui advertida de que deveria permanecer com meu marido e de que viria um tempo em que estaria em condições de fazer voto de pobreza, castidade e obediência e de que estaria numa pequena comunidade onde algumas outras fariam o mesmo. Entendi que isto seria num lugar dedicado ao serviço do próximo; porém não compreendia como seria, pois devia haver idas e vindas.  Fui assegurada também que deveria permanecer em paz quanto ao meu diretor e que Deus me daria um outro que ele me fez ver então, segundo me parece, e eu senti repugnância em aceitá-lo; todavia, consenti, parecendo-me, entretanto, que não era o momento de fazer esta mudança.Minha terceira pena foi-me tirada pela certeza que senti em meu espírito de que era Deus quem me ensinava tudo o que disse acima e, posto que Deus existia, não devia duvidar do restante.
Os dois anos seguintes, Luísa passou-os ao lado de seu marido enfermo, até que a morte veio buscá-lo, a 21 de dezembro de 1625. O relato é dela mesma, reproduzido por seu primeiro biógrafo: Estava só com ele para assisti-lo nesta passagem tão importante e ele manifestou tanta devoção, que deu a conhecer até o último suspiro que o seu espírito estava unido a Deus. 
Mesmo na companhia de seu filho Miguel Antônio, agora com doze anos, Luísa sentia-se desamparada. E para aumentar suas preocupações, o menino se tornava cada dia mais um adolescente rebelde.
Luísa, ainda com um forte desejo de se consagrar totalmente a Deus, intensificou sua vida de oração para discernir o caminho a seguir. Seu antigo diretor espiritual era o Bispo Jean-Pierre Camus, que, morando agora distante de Paris, lhe indicara um outro diretor: o Padre Vicente de Paulo. Mas Luísa vacilou, sentindo uma certa repugnância em relação a ele. No entanto, recordando a luz de Pentecostes, apesar da resistência interior, buscou no Padre Vicente uma segura e necessária orientação espiritual. Ele, por sua vez, mostrou-se um pouco reticente diante daquela responsabilidade.
Dóceis à vontade de Deus, ambos se aceitaram mutuamente. Luísa de Marillac aceitou a direção do Padre Vicente e, de sua parte, Padre Vicente aceitou aquela mulher ansiosa e inquieta, dispondo-se a ajudá-la a libertar-se de suas angústias e a adquirir a paz e a liberdade diante de si mesma e de Deus.
Lentamente, Luísa engajou-se no trabalho das Confrarias da Caridade, estabelecidas em várias paróquias, graças à ação organizadora do Padre Vicente e de seu grupo de colaboradores. Padre Vicente e Luísa trabalharam, assim, em equipe e, desta mútua cooperação, surgiram inúmeras iniciativas audaciosas para o serviço dos Pobres, das quais a mais original é a Companhia das Filhas da Caridade.
Em 1630, quando Padre Vicente pregava uma missão nos campos, uma camponesa de 32 anos, Margarida Naseau, dirigiu-se a ele dizendo que gostaria de colaborar com as Confrarias da Caridade. Padre Vicente a convidou, então, para ir a Paris, onde seria encaminhada para o serviço dos Pobres. Lá, seu apostolado foi extremamente frutuoso: as casas dos Pobres se iluminavam com sua presença amável.
Seu exemplo de doação alegre e generosa incentivou outras jovens, que chegavam dos campos querendo ajudar os Pobres. No entanto, nem todas estavam preparadas. Assim, deveriam ser dirigidas e capacitadas para um serviço tão sublime e tão exigente. Tinham, pois, necessidade de uma formação sólida e de enraizamento em Deus pela oração para, só depois, se engajarem no serviço dos Pobres, dos órfãos, dos doentes e dos analfabetos.
Assim, a 29 de novembro de 1633, algumas dessas jovens se reuniram na casa de Luísa de Marillac, dando origem à Companhia das Filhas da Caridade, uma originalíssima intuição de São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac.
As Filhas da Caridade são até hoje leigas consagradas que vivem em comunidade. No início, não faziam votos, mas depois começaram a emitir votos simples e renováveis anualmente, a fim de reafirmar, na autêntica liberdade cristã, a resposta ao dom da vocação.
Os fundadores, mais que depressa, respondendo aos apelos de seu tempo, enviaram as Irmãs ao encontro dos Pobres. Na itinerância da caridade, puderam conservar a mobilidade e a disponibilidade necessárias e viver no meio daqueles a quem serviam. Na chamada Carta Magna das Filhas da Caridade, o espírito e a vocação da Companhia ficam bem definidos por seu fundador:
É isto, minhas caras filhas, o que indica este regulamento. Prestai bem atenção, vou repetir-vos. Vosso mosteiro é a casa dos enfermos e aquela em que reside a superiora. Vossa cela é vosso quarto de aluguel. Nisso sois mais semelhantes a Nosso Senhor. Tendes como capela a igreja paroquial, na qual deveis assistir o santo sacrifício e dar bom exemplo, sendo sempre a edificação do povo, ainda que sem deixar por isso o serviço necessário aos enfermos. Vosso claustro são as ruas da cidade, pelas quais tendes que ir para atender os enfermos. Vosso claustro é a obediência, já que a obediência tem que ser vossa clausura, não passando nunca além do lugar para onde vos chamaram e mantendo-vos fechadas ali dentro. Por grade tereis o temor de Deus. E por véu levareis a santa modéstia (SV X, 662 / ES IX, 1179).
Em outras palavras, como Padre Vicente e a própria Luísa de Marillac se expressavam, pode-se dizer que o espírito da Companhia das Filhas da Caridade consiste no seguinte: amar a Nosso Senhor e servi-lo em espírito de caridade, humildade e simplicidade.
Atentas à realidade de pobreza da França do século XVII, procuraram desde cedo empreender as mais diversas formas de serviço aos sofredores. Diante da situação das crianças, abandonadas e exploradas por pessoas inescrupulosas, que as utilizavam para mover a piedade dos outros e, com isso, obter benefícios e esmolas, surgiu, em 1638, uma das primeiras ocupações de Luísa de Marillac e de suas Irmãs: a organização, junto com as Senhoras da Caridade e os Padres da Missão, de uma grande obra de assistência e proteção aos menores desamparados.
No tocante aos enfermos, muitos estavam amontoados nos salões do Hospital Geral de Paris. Tal realidade não deixou de ressoar no coração de Luísa que, instruída pelo Padre Vicente, enviou as Irmãs para se dedicarem, juntamente com as Damas da Caridade a mais essa ocupação. E, depois do Hospital da capital, outros foram sendo assumidos pela Companhia em diversas localidades da França.
Como Padre Vicente era capelão dos mais temidos presos de então, os galés, que eram condenados a remar nos navios de guerra, a solicitude e a atenção das Filhas da Caridade e de sua fundadora chegaram até aquele submundo. O apostolado da Companhia entre os prisioneiros, além do serviço misericordioso aos condenados, consistia em aumentar a alimentação sem aumentar os gastos. Luísa de Marillac teve um papel preponderante neste trabalho, pois lhe coube orientar as Irmãs e organizar a forma mais adequada para a assistência daqueles presos. Sabendo do perigo desse trabalho, Luísa escreveu num regulamento: mesmo se eles gritarem muito forte, vocês jamais falarão com eles grosseiramente; não reprovem o seu mau humor, ocupem-se com todos com ternura, principalmente com os que as maltratarem mais (E. 43).
Durante as visitas de Luísa às Confrarias da Caridade das províncias, ela se deu conta de que um dos males da sociedade era a ignorância. Uma das primeiras perguntas que ela fazia era se havia uma professora na região. Se não havia, ela mesma preparava uma jovem. Com essa atitude, Luísa inaugurou pequenas escolas para educar as meninas pobres. Em suas cartas, sempre insistiu sobre a qualidade da educação, que devia ser simples e prática. Ao mesmo tempo, ocupou-se da formação das Irmãs, preparando-as para o árduo apostolado do serviço e da educação dos Pobres mais abandonados.
Luísa de Marillac, Mademoiselle Le Gras, foi realmente uma fiel seguidora de Jesus Cristo, o Evangelizador e Servidor dos Pobres. Em nenhum momento de sua vida, sabiamente guiada por Padre Vicente, Luísa titubeou em sua consagração a Deus e aos seus preferidos. Organizadora da ação caritativa das Confrarias, visitadora dos campos e estimuladora dos serviços prestados pelas Senhoras da Caridade, Luísa foi sempre uma voz forte na defesa dos direitos dos mais pobres e abandonados. Edificando a Companhia das Filhas da Caridade, como firme Superiora que era, sem contudo perder a humildade e a singeleza das atitudes, Luísa de Marillac acabou estruturando grandes obras na França do século XVII e em outras regiões da velha Europa onde suas Irmãs chegaram ainda durante sua vida. A obra das crianças, dos condenados, dos hospitais, das escolas para os Pobres e o tão caro atendimento dos Pobres em sua própria casa – grande diferencial da espiritualidade e da missão vicentinas – foram encarados com bravura e entusiasmo por Luísa, esta mulher que, renascida de seus sofrimentos e angústias, encontrou no mundo dos Pobres o Deus de sua vida e a ele se consagrou inteiramente, consumindo-se no serviço dos irmãos mais desamparados.
Depois de uma longa vida dedicada aos Pobres e à formação das primeiras Irmãs da incipiente Companhia, Luísa de Marillac veio a falecer no dia 15 de março de 1660, após um longo período de enfermidade. Morria assim a grande Mademoiselle Le Gras – a fiel colaboradora de São Vicente de Paulo, a dedicada Senhora da Caridade, a audaciosa co-fundadora da Companhia das Filhas da Caridade, a zelosa mestra na educação das moças pobres, a ativa organizadora da ação caritativa. E, principalmente, para sua maior honra, a inteiramente despojada servidora dos Pobres.
Diante de uma vida tão grandiosa, palavras sempre são insuficientes. Mas se for possível resumir sua existência, talvez seu próprio testamento espiritual o faça: "Minhas queridas irmãs, continuo a pedir a Deus sua bênção para vós e que ele vos conceda a graça de perseverar em vossa vocação para servi-lo da maneira que ele vos pede. Tende grande cuidado com o serviço dos Pobres, e, sobretudo, vivei juntas numa grande união e cordialidade, amando-vos umas às outras, para imitar a união e a vida de Nosso Senhor. Pedi à Santíssima Virgem que seja vossa única mãe".
De fato, Maria, a única Mãe da Companhia, que as Irmãs deveriam ter diante dos olhos como aquela que esteve sempre atenta aos desígnios de Deus, ocupou um lugar central na vida de Luísa de Marillac. De sua identificação com a Mãe de Jesus, nasceu a seguinte oração: "Eu sou tua, ó Virgem Santa, para ser mais perfeitamente de Deus, e, porque pertenço a ti, ensina-me a imitar a tua santa vida, fazendo aquilo que Deus me pede. Suplico, com humildade, o teu auxílio: tu, que conheces a minha debilidade e vês o meu coração, com a tua oração, faze aquilo que eu deixo de fazer por minha incapacidade e negligência".

Beatificação: 09 de maio de 1920, por Bento XV
Canonização: 11 de março de 1934, por Pio XI
Proclamação como Patrona de todos os que se dedicam às Obras Sociais Cristãs:
10 de fevereiro de 1960, por João XXIII.
Solenidade Litúrgica: 15 de março

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