center
center

.

.

CASA DE RETIRO E ENCONTROS

CASA DE RETIRO E ENCONTROS
CONTATO: RUA SÃO VICENTE DE PAULO,300,ANTONIO BEZERRA - FORTALEZA/CE - TEL:(85)3235-6153

domingo, 11 de setembro de 2011

São João Gabriel Perboyre (1802-1840) – Padre da Missão, Mártir na China

João Gabriel Perboyre nasceu em Puech, diocese de Cahors, no sul da França, aos 06 de janeiro de 1802. Com 15 anos, entrou para o seminário de Montauban, dirigido pelos Padres Lazaristas, onde seu tio, Padre Jacques Perboyre, era reitor. Com 16 anos, já era um seminarista consciente da própria vocação. Na oração, na ascese e no zelo, dava provas da firmeza de seu propósito: Quero ser missionário... Oh, como é bela a cruz plantada em terra infiel e regada com o sangue dos apóstolos de Jesus Cristo.
Em 15 de dezembro de 1818, entrou para o Seminário Interno da Congregação da Missão e emitiu os votos a 28 de dezembro de 1820. Concluindo seus estudos em junho de 1823 e não podendo ser ordenado devido à idade (isso só aconteceria a 23 de setembro de 1826), retornou a Montauban como professor. Um ano depois de ordenado, foi nomeado superior do Seminário de Saint-Flour e, em 1832, diretor do Seminário Interno, em Paris.
Foi em 1820, quando estava no Seminário Interno, que Padre João Gabriel recebeu a notícia do martírio do Padre Francisco Régis Clet, depois de longos anos de trabalho missionário na China (1791-1820). Anos depois, por ocasião da chegada à Paris das relíquias do Padre Clet, o jovem missionário Perboyre, já como diretor do Seminário Interno, cargo também exercido por seu Coirmão martirizado, exclamou diante de seus formandos: Quisera eu ser mártir como Clet! Peçam a Deus que minha saúde se fortifique para que eu possa ir à China, a fim de pregar Jesus Cristo e morrer por ele.
A falta de saúde era realmente um grande obstáculo para seus sonhos. Mas Padre Perboyre nunca perdeu a esperança. De fato, em 1835, partiu para a China, desembarcando em Macau alguns meses depois. Neste território português, Padre Perboyre foi recebido por seus Coirmãos de Congregação para se dedicar ao estudo da cultura e, principalmente, da língua chinesa, esforço que empreendeu sem demora, permanecendo em Macau apenas quatro meses.



Em terras chinesas, apesar da grande perseguição contra a fé cristã, Padre Perboyre não se intimidou e se lançou de corpo e alma à missão. Para isso, preparou-se física e culturalmente: aprendeu o idioma chinês, mandou raspar a cabeça, salvo um punhado de cabelo atrás, prolongado por uma trança postiça, e deixou crescer o bigode. Sobre essa inculturação, escreveu a seu irmão: Se você pudesse me ver com meu traje chinês, se visse minha cabeça raspada, minha longa trança e bigode, balbuciando minha nova língua, comendo com os pauzinhos que servem de faca, colher e garfo... Para melhor se inculturar e servir ao povo chinês, Padre Perboyre, como todos os seus outros Coirmãos, também adotou um novo nome, passando a ser chamado de Padre Tong Weng Hio, ou simplesmente Padre Tong.
Partindo de Macau a 21 de dezembro de 1835, chegou a seu destino, Honam, quatro meses e meio depois, onde o esperavam seus Coirmãos, os Padres Baldus e Rameaux. Ali permaneceu um ano e meio, sendo transferido em janeiro de 1838 para Hopé, onde trabalhou até sua prisão a 16 de setembro de 1839. Uma breve atividade missionária! Nem mesmo cinco anos... Mas uma atividade missionária intensa e com muitos frutos, projetos e realizações, tudo para a glória de Deus, que o chamara para a Missão, e para a salvação do seu amado povo chinês.
Seu apostolado consistia, fundamentalmente, em percorrer os diversos povoados da região, pregando o Evangelho do Senhor e conclamando o povo à conversão e à santidade de vida. A estas missões, segundo seu próprio relato, geralmente acorriam muitas pessoas, inclusive algumas que, por causa das constantes perseguições, tinham abandonado e renegado sua fé.
Em meio às pregações e instruções do povo, Padre Perboyre dedicava-se, com muito afinco, às visitas domiciliares, por ele chamadas de santa violência, já que o Missionário era obrigado a percorrer, na maioria das vezes, grandes distâncias, a fim de não deixar uma só pessoa, casa ou família sem a visita e o anúncio do Evangelho.
Dos desafios enfrentados nestas missões, além da perseguição, deve-se enumerar a imensidão da China e a precária condição das estradas, o que muito dificultava a pregação missionária. As viagens eram feitas quase sempre a pé, raras vezes a cavalo, por montanhas desertas, caminhos tortuosos e rios pouco providos de pontes. Sobre estas dificuldades, o próprio Perboyre deixou um testemunho:
Havia já várias horas que não conseguia me arrastar, a não ser com a ajuda de um guarda-chuva. Isso, no entanto, impedia-me de usá-lo para me defender da chuva que caía a cântaros. Sentava-me em todas as pedras que encontrava e logo me levantava, agarrando-me com as mãos. Mas teria me agarrado até mesmo com os dentes, se isso fosse necessário para continuar o caminho que a Providência me tinha assinalado.
            Apesar de todas estas grandes dificuldades, chegando aos povoados, o Missionário praticamente não tinha tempo de recuperar as forças e se alimentar. Vendo-o chegar, o povo acorria, no mais vivo desejo de receber a graça de Deus pelos sacramentos, principalmente pela Penitência, e pela acolhida da Igreja, ali presente, em todo seu zelo missionário, na pessoa do Padre João Gabriel Perboyre.
            Passava, então, horas e horas na escuta dos fiéis, atendendo cada um em particular; celebrava, em comunhão com a vida sofrida do povo, a memória da Salvação do Senhor, renovada diariamente no Altar da Eucaristia; falava de Deus tanto às crianças quanto aos adultos, iluminando, inspirando boas ações e abrindo-lhes à esperança do Reino, ao amor e à fraternidade. Como pastor solícito, acolhia cada chinês em seu próprio coração; partilhava suas dores, compadecia-se de seus sofrimentos e não lhes deixava no desamapro e na miséria, tudo fazendo para que pudessem experimentar, já aqui, da vida em plenitude prometida por Jesus (cf. Jo 10,10).
            Ao lado deste trabalho extenuante, mas necessário, exigente, mas desejado desde as primícias de sua vocação, Padre Perboyre ainda tinha tempo para uma série de atividades, assumidas com responsabilidade e igual dedicação. Ocupava-se com a administração dos recursos financeiros que a Missão recebia; com a educação e instrução dos vocacionados, que sentiam o desejo de se consagrar a Deus como presbíteros e missionários; com a formação do clero nativo, a fim de que a evangelização pudesse se desenvolver com mais fluência e a Igreja estabelecer-se sem dependência estrangeira; e ainda com a reorganização das circunscrições missionárias e diocesanas, para as quais preparou um excelente projeto, implementado após sua morte, visando a melhor execução dos trabalhos da Igreja Local.
Em meio a tantas atividades e com um futuro claramente promissor em terras chinesas, Padre Perboyre foi ceifado pela perseguição. Todos os seus projetos e empreendimentos apostólicos recebiam ali um termo e seriam, com sua oferta e para a decepção de seus perseguidores, ainda mais fecundados.
Tal perseguição, que culminaria com seu martírio, começou na aldeia de Nan-Kiang, num domingo, após a missa. Os soldados investiram contra os cristãos, saqueando e incendiando a igreja. Fugindo, Padre Perboyre se escondeu num bambuzal, depois na casa de um catequista e, no dia seguinte, numa floresta vizinha. Mas o Missionário foi traído e entregue por um neófito. Preso, foi arrastado de tribunal em tribunal e torturado pelos soldados. Interrogado quanto à sua fé, respondeu entusiasmado: Sou europeu e missionário dessa religião.  No entanto, às calúnias e maus tratos preferia responder mais pelo silêncio do que por palavras. Firme em suas convicções, afirmava: Antes morrer do que renegar a fé.
Em Ku Chen, Padre Perboyre submeteu-se a dois interrogatórios; em Sian Yan Fu, outros quatro, sendo que, em um destes, foi obrigado a ficar meio dia de joelhos, em cima de correntes e preso numa viga de madeira. Em Outchangfou, último estágio a ser enfrentado, o resistente e intrépido Missionário ainda sofreu vinte interrogatórios, todos feitos mediante intensa tortura. No entanto, apesar de todo este sofrimento, Padre Perboyre não revelou o que queriam seus algozes: o nome dos demais Missionários, para que a perseguição pudesse se estender por todo o Império. Também não aceitou o sacrilégio de pisar na cruz, sinal preclaro da salvação e do amor de Deus pela humanidade, e esta recusa lhe rendeu cento e dez açoites de uma só vez.
Finalmente, a 11 de setembro de 1840, o correio imperial ratificou sua sentença de morte: tirado da prisão, revestido da túnica vermelha dos condenados, foi levado para ser estrangulado. Padre Perboyre foi descalço, mãos atadas atrás das costas, sustentando uma longa vara em cuja extremidade tremulava o motivo de sua condenação: professar a fé cristã. Chegara o momento supremo. Em Outchangfou, de joelhos, ao pé da forca, o Missionário dirigiu a Deus sua última prece. Amarrando-o num madeiro em forma de cruz, seus algozes impiedosamente o estrangularam. Ali morria, no ardor de sua fé, mais um Missionário, determinado em suas convicções e em seu zelo apostólico.
Seu martírio coroou sua tenacidade evangélica e sua radical opção por Jesus e pelos Pobres do Reino. Com uma vida toda entregue a Deus e aos irmãos, soube configurá-la de forma surpreendente a Cristo Missionário e Crucificado. De fato, o desejo de se assemelhar a Jesus, Evangelizador dos Pobres, não o deixou sossegado. Nele ardia o grande desejo de tornar concreto o projeto de Deus, de anunciá-lo a todos os povos e, em cada canto da China, fazer com que esse Reino fosse explicitado, propiciando novos tempos de graça e de esperança para todas as pessoas, especialmente para os pequeninos, aos quais tinha consagrado, alegre e abnegadamente, sua vida e seu ministério. Em uma de suas orações, proposta aos jovens seminaristas, Padre Perboyre deixou transparecer todo este ardor missionário, vivido e comunicado ao longo de seus dias:
Ó meu Divino Salvador, por vossa onipotência e misericórdia infinita, fazei que eu me converta e seja totalmente transformado em vós. Que minhas mãos sejam as mãos de Jesus, que meus olhos sejam os olhos de Jesus; que todos os meus sentidos e o meu corpo sirvam apenas para glorificar-vos. Mas, sobretudo, transformai a minha alma e todas as suas potências: que minha memória, inteligência e coração sejam a memória, a inteligência e o coração de Jesus; que minhas ações e meus sentimentos sejam semelhantes a vossas ações e a vossos sentimentos; e que, como o Pai disse de vós: “Eu hoje te gerei”, possais dizer o mesmo de mim e dizer ainda como o vosso Pai celeste: “Eis aqui meu filho bem amado, em quem ponho todo o meu agrado”.

Beatificação: 10 de novembro de l889, por  Leão XIII
Canonização: 02 de junho de 1996, por  João Paulo II
                                                     Memória Litúrgica: 11 de setembro


Nenhum comentário: